
Londres, 07 abr 2026 (Lusa) – O ‘rapper’ norte-americano Kanye West, que tinha concertos marcados para o Festival Wireless, Londres, em julho, foi proibido de entrar no Reino Unido, pelo Governo britânico, devido a declarações anti-semitas, noticiou a BBC.
Perante a proibição da entrada do ‘rapper’, agora conhecido como Ye, o Festival Wireless foi cancelado, anunciou por seu lado a organização.
“O Ministério do Interior revogou a Autorização Eletrónica de Viagem (ETA) de Ye, negando-lhe a entrada no Reino Unido”, diz o comunicado da promotora Festival Republic. “Como resultado, o Festival Wireless foi cancelado e serão emitidos reembolsos para todos os portadores de bilhetes”.
Kanye West, de 48 anos, que tem um concerto marcado para o Estádio do Algarve, em agosto, pediu na segunda-feira uma Autorização Eletrónica de Viagem para entrar no Reino Unido, mas o pedido foi negado porque “a sua presença não é de interesse público”, noticiou hoje a BBC, citando o ministério britânico do Interior.
O ‘rapper’ declarara, por seu lado, que estava disposto a reunir-se com membros da comunidade judaica britânica antes dos concertos no Wireless Festival, após a polémica que envolveu o seu historial de anti-semitismo, garantindo que este faz parte do passado.
Além de ter pedido desculpa em janeiro passado por comentários anti-semitas, o ‘rapper’ divulgou hoje um comunicado em que afirmava estar ciente da polémica.
“O meu único objetivo é ir a Londres e fazer um concerto que promova a mudança, trazendo união, paz e amor através da minha música”, lia-se no comunicado publicado na comunicação social britânica. “Gostaria de ter a oportunidade de me encontrar pessoalmente com membros da comunidade judaica do Reino Unido para a ouvir. Sei que as palavras não são suficientes. Terei de demonstrar a mudança através das minhas ações”, escreveu.
O ‘rapper’ estava anunciado como cabeça de cartaz para as três noites do Wireless, marcado para os dias 10 a 12 de julho, no Finsbury Park, em Londres.
Hoje, a Festival Republic, no comunicado sobre o cancelamento do Wireless, adianta que “foram consultadas várias partes interessadas antes da contratação de Ye e não foram levantadas preocupações na ocasião”.
“O anti-semitismo em todas as suas formas é abominável e reconhecemos o impacto real e pessoal que estas questões tiveram”, prossegue a Festival Republic, que recorda o comunicado de West, adiantando que o ‘rapper’ “ainda espera ter oportunidade de iniciar um diálogo com a comunidade judaica no Reino Unido”.
Várias organizações judaicas tinham pedido ao governo britânico que proibisse a entrada do ‘rapper’ no Reino Unido.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, já tinha condenado o convite ao ‘rapper’ num artigo publicado no jornal The Sun, no fim de semana, considerando “profundamente preocupante” que West tivesse sido contratado, “apesar das declarações anti-semitas e dos elogios ao nazismo no passado”.
O presidente da Câmara de Londres, Sadiq Khan, criticou igualmente as declarações do músico e salientou que a autarquia não estava envolvida no festival.
A Festival Republic, que organiza o Wireless, faz parte da Live Nation Entertainment, que se apresenta como “a maior empresa de entretenimento ao vivo do mundo” e opera em várias frentes nesta indústria, em diferentes países, incluindo Portugal.
West lançou a música “Heil Hitler” no ano passado, e também vendeu ‘t-shirts’ com símbolos nazis. Em 2022, foi suspenso da série “X-Men” pelos seus comentários ofensivos.
Em janeiro, o ‘rapper’ pediu desculpa num anúncio no Wall Street Journal, afirmando que “não era nazi nem anti-semita” e que o seu comportamento se devia a um episódio bipolar.
O concerto de West em Portugal, anunciodo pela BOL, está marcado para 07 de agosto, no Estádio do Algarve, em Loulé, e acontece no âmbito da digressão mundial do ‘rapper’, com várias datas na Europa, na sequência da edição do seu novo álbum, “Bully”.
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