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Luanda, 06 abr 2026 (Lusa) — A Igreja Católica angolana disse hoje que o Papa vai encontrar em Angola famÃlias “alegres, capazes de sonhar e contornar dificuldades” e considerou que o paÃs precisa de uma “efetiva reconciliação a todos os nÃveis”.
A Arquidiocese de Luanda abordou hoje, em conferência de imprensa, os preparativos da visita do Papa Leão XIV a Angola, entre 18 de 21 de abril, salientando que todos os religiosos estão mobilizados e irmanados para receber o PontÃfice.
O ponto de situação sobre a preparação da visita do Papa foi apresentado pelo arcebispo de Luanda, Filomeno Vieira Dias, que, no inÃcio da sua intervenção, exprimiu solidariedade à s famÃlias angolanas, sobretudo em Luanda, afetadas pelas chuvas do fim de semana.
Para o arcebispo, a visita, que se inicia em Luanda, capital do paÃs, “encheu de entusiasmo e de alegria” a comunidade católica e mobiliza toda a sociedade: “Uma visita que nos entusiasma e, ao mesmo tempo, nos responsabiliza e nos mobiliza para acolhermos este homem que vem em nome da fraternidade universal, em nome da irmandade entre todos os homens”.
Segundo Filomeno Vieira Dias, toda a Igreja está mobilizada e organizada para receber Leão XIV, numa visita que assume “um cariz institucional – visita à nação – e [também] visita à comunidade cristã católica em Angola”.
“Peregrino da Esperança, da Reconciliação e da Paz” é o lema da visita do Papa a Angola, cuja agenda inclui encontros com as entidades governamentais, com o clero angolano, uma missa campal no Kilamba (Luanda), missa no Santuário da Muxima (Icolo e Bengo) e uma deslocação a Saurimo (Lunda Sul).
Para o arcebispo angolano, o Papa deve manifestar palavras que conduzem à unidade e construção de uma felicidade comum entre os angolanos, “para além dos vários ismos que (…) dividem, que (…) enfraquecem, que fragilizam a (…) construção comunitária como sociedade”.
“Certamente que o Papa virá dizer-nos a todos nós que coloquemos sempre no centro da nossa vida, da nossa sociedade, a pessoa enquanto tal, sem olhar a sua origem, construir juntos uma Angola linda, bela e maravilhosa”, respondeu aos jornalistas.
Filomeno Vieira Dias recordou, por outro lado, que Leão XIV vem a Angola “como peregrino da reconciliação” porque, sustentou, “a reconciliação não é um ato administrativo”.
“É um processo psicológico, é um processo humano, é um processo social, legislativo, a reconciliação não é um ato feito uma vez por todas, mas é algo que é construÃdo continuamente”, realçou, salientando que Angola só poderá caminhar como povo se estiver reconciliada.
O alcance da reconciliação — em ano em que o paÃs celebrou 24 anos de paz e reconciliação — constitui “um desafio” para o paÃs, disse, frisando: “Por mais que esta palavra por vezes ressoe mal em certos ouvidos há muitos angolanos que sentem que este é um tema que ainda deve estar sobre a mesa”.
Lamentou que ainda existam pessoas em Angola que se sintam “marginalizadas, secundarizadas e excluÃdas”, considerando que a nação deve ser edificada na valorização e no cuidado das pessoas e com exaltação da cidadania e angolanidade.
“Nós precisamos de trabalhar para uma reconciliação efetiva a todos os nÃveis (…)”, declarou o arcebispo católico.
Vieira Dias desejou que Leão XIV nomei, “na sua liberdade e sem pressão”, um cardeal angolano, recordando que Angola é uma cristandade mais antiga ao sul do Saara.
O padre Adelino Calonda, coordenador da visita do Papa na Arquidiocese de Luanda, respondeu à Lusa que Leão XIV vai encontrar no paÃs lusófono africano famÃlias alegres, “porque capazes de sonhar e contornar” as dificuldades sociais e económicas.
“FamÃlias com capacidade e com força de lutar e as respostas vão sendo dadas à medida que o tempo avançar, com a fé de que as coisas tendem a mudar e é também para isso que o Santo Padre vem, ensinar-nos a rezar e ao mesmo tempo espevitar a esperança que cada um de nós carrega no seu âmago”, argumentou.
Adelino Calonda abordou a campanha de recolha de fundos, promovida pela Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), para as despesas da visita do Papa, garantindo que estas serão alocadas para que a visita papal decorra “sem sobressaltos”.
DAS // MLL
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