
Abu Dhabi, 04 abr 2026 (Lusa) — A primeira-ministra italiana concluiu hoje a visita ao golfo Pérsico nos Emirados Árabes Unidos, tendo pedido liberdade de navegação no estreito de Ormuz, que considerou um passo necessário para o fim das hostilidades na região.
Giorgia Meloni reuniu-se nos Emirados Árabes Unidos (EAU) com o Presidente do país, xeque Mohamed bin Zayed Al Nahyan, na que foi a última etapa de uma viagem de dois dias em que passou pela Arábia Saudita e pelo Qatar.
No encontro, os dois líderes debateram as perspetivas do conflito na região e nas “condições necessárias para o cessar-fogo”, em particular a “necessidade de garantir a liberdade de navegação no estreito de Ormuz.
Meloni expressou “profunda gratidão” pelo apoio das autoridades dos EAU na repatriação de milhares de cidadãos italianos e turistas retidos na zona desde o início do conflito.
A líder do executivo italiano também destacou a “forte proximidade de Itália a uma nação amiga” que classificou como “vítima de contínuos ataques do Irão”.
Na visita, foi acordado um reforço dos investimentos recíprocos nos setores estratégicos de energia, defesa e segurança.
A viagem, que não foi anunciada previamente por motivos de segurança, foi a primeira de um líder de um país da União Europeia à região desde o início do conflito, no final de fevereiro.
Em cerca de 48 horas, Meloni encontrou-se em Doha com o emir do Qatar, Tamim bin Hamad al-Thani, a quem disponibilizou a capacidade industrial italiana para reabilitar as infraestruturas energéticas danificadas.
Antes disso, a primeira-ministra italiana encontrou-se com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed bin Salman, com quem analisou a “assistência militar defensiva” que Itália presta ao reino.
Nas três paragens que fez, Meloni insistiu na urgência de reabrir o estreito de Ormuz para garantir o abastecimento de hidrocarbonetos e reduzir o impacto da crise.
A Líbia é o principal fornecedor de petróleo a Itália, em parte porque a estatal italiana Eni opera naquele país desde 1959, mas Roma também recebe crude da Arábia Saudita e de outros países africanos, como Egito, ou do Médio Oriente, como o Iraque.
A 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva militar contra o Irão, que retaliou com o encerramento do estreito de Ormuz – uma via marítima fundamental para o mercado petrolífero – e lançou ataques contra Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.
A atual situação provocou um aumento dos preços do petróleo e de outras matérias-primas.
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