
Luanda, 04 abr 2026 (Lusa) — O secretário-geral do Conselho de Igrejas Cristãs em Angola (CICA) considerou hoje um momento de grande importância espiritual a visita do Papa Leão XIV ao território angolano, que vai decorrer de 18 a 21 deste mês.
Em declarações à Lusa, o reverendo Vladimir Agostinho referiu que esta visita tem igualmente um sinal simbólico para o país, já que “reforça o lugar de Angola no percurso da evangelização e da universalidade da igreja”.
“Esta visita tem impacto significativo em vários aspetos, primeiro, a presença do Papa pode fortalecer a fé dos católicos, e não só, e promover a unidade entre as igrejas cristãs no nosso país”, referiu.
Segundo Vladimir Agostinho, a presença, pela terceira vez, de um Papa em Angola promove a reconciliação, especialmente num país que viveu cinco séculos de colonização e quase três décadas de guerra civil.
“Ainda vemos os vestígios de todos esses males, que provocaram divisões no nosso seio, que nos distanciaram como irmãos, acreditamos que (…) a presença deste líder mundial da Igreja Católica pode ajudar a promoção desta reconciliação nacional”, vincou.
Para o secretário-geral do CICA, a visita do Papa pode reforçar a presença da Igreja Católica na vida social e política do país, destacando a sua influência na formação de valores e na promoção do bem-estar social.
A relação diplomática também é uma área chave, porque além de líder espiritual, o Papa é um chefe de Estado, esperando-se que a sua vinda a Angola fortaleça as relações diplomáticas entre Angola e a Santa Sé, promovendo a cooperação em áreas como a educação, saúde e o desenvolvimento comunitário.
“A visita do Papa Leão XIV pode ser um momento importante para Angola, com impactos positivos na fé, na reconciliação nacional e no papel da Igreja Católica, e não só, no nosso país, por isso, nós, as igrejas irmãs, estamos bastante felizes em saber que Angola, pela terceira vez, irá receber um Papa. Seja bem-vindo”, frisou.
O CICA é a principal organização protestante do país, fundada a 24 de Fevereiro de 1977, então com a designação de CAIE, Conselho Angolano de Igrejas Evangélicas.
Conta atualmente com 24 membros, incluindo organizações associadas e observadores, com presença em todas as províncias do país.
Emtre os membros incluem-se a Igreja Metodista Unida de Angola, a Igreja Evangélica Congregacional em Angola, a Igreja Evangélica Baptista em Angola, a Igreja Evangélica de Angola, a Igreja Evangélica Reformada de Angola, a Missão Evangélica Pentecostal em Angola e a Igreja Kimbanguista em Angola.
A visita do líder da Igreja Católica a Angola está integrada num périplo de dez dias ao continente africano, que inclui também Argélia, Camarões e Guiné Equatorial.
Em Angola, o Sumo Pontífice, além da visita a Luanda, capital do país, vai deslocar-se ao Santuário de Nossa Senhora da Conceição da Muxima, na província do Icolo e Bengo, e à cidade de Saurimo, capital da província da Lunda Sul.
Esta é a terceira passagem de um Papa por Angola, depois de João Paulo II, em 1992, e Bento XVI, em 2009.
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