
Macau, China, 03 abr 2025 (Lusa) — A Universidade Nova de Lisboa (UNL) vai inaugurar na quinta-feira, em Macau, um laboratório sino-português para estudar “energia sustentável, ecrãs de última geração e dispositivos inteligentes”, disse hoje a cientista Elvira Fortunato à Lusa.
A nova instituição vai juntar o Instituto de Nanoestruturas, Nanomodelação e Nanofabricação (i3N) da UNL e o Instituto de Ciências e Engenharia de Materiais da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla em inglês).
O Laboratório Conjunto Sino-Português de Optoeletrónica irá reunir “conhecimentos especializados em optoeletrónica, nanotecnologia e materiais avançados de ambos os lados”, explicou Fortunato.
A optoeletrónica é o estudo e aplicação de aparelhos eletrónicos que fornecem, detetam e controlam luz, incluindo os computadores do futuro, que poderão funcionar com luz e não só com transições eletrónicas.
O objetivo é ser “um espaço onde investigadores de Portugal, China e outros países podem trabalhar (…) em desafios comuns, como energia sustentável, ecrãs de última geração e dispositivos inteligentes”, acrescentou Fortunato.
“Macau, com a sua história singular como ponto de encontro entre o Oriente e o Ocidente, é um local natural para este tipo de colaboração”, sublinhou a antiga ministra portuguesa da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (2022-2024).
Fortunato sublinhou que o laboratório conjunto “representa o culminar de uma longa e profícua parceria” entre as duas universidades, que no final de 2025 assinaram um novo acordo de cooperação.
O acordo teve o apoio do Governo de Macau e o novo laboratório conta já com financiamento do Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia da região chinesa.
Isto “envia um sinal claro de que o Governo de Macau está empenhado em desenvolver uma capacidade de investigação de classe mundial e em transformar as descobertas científicas em impacto no mundo real”, acrescentou.
Elvira Fortunato e o marido, Rodrigo Martins, que lidera a Academia Europeia de Ciências desde 2018, são conhecidos por terem inventado, em 2008, com colegas, o chamado “papel eletrónico”, o primeiro transístor feito de papel.
Martins, coordenador do i3N-NOVA, sublinhou que o instituto está também a desenvolver um outro projeto de investigação em parceria com a MUST sobre “os chamados materiais funcionais avançados” para a energia.
Em paralelo com a inauguração do laboratório, a MUST irá acolher um fórum de três dias sobre materiais optoeletrónicos, em colaboração com a Universidade de Suzhou, no leste da China.
Numa nota enviada à Lusa, a MUST sublinhou que “este laboratório é o primeiro do seu género em Macau e o primeiro laboratório de investigação conjunta China-Portugal (…) dedicado à optoeletrónica”.
A instituição vai apostar “no desenvolvimento colaborativo de materiais e dispositivos optoeletrónicos inovadores, em consonância com o 15.º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Industrial da China”, acrescentou a universidade.
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