
Quito, 03 abr 2026 (Lusa) – O Presidente do Equador, Daniel Noboa, declarou na um novo estado de emergência de 60 dias para combater o crime organizado, que abrange nove das 24 províncias e quatro municípios em outras três províncias.
Entre as jurisdições afetadas pelo novo estado de emergência, imposto na quinta-feira, estão a capital, Quito, e Guayaquil, as duas maiores cidades do país, que juntas têm aproximadamente sete milhões de habitantes, de uma população total de cerca de 18 milhões.
Durante o estado de emergência, os direitos fundamentais à inviolabilidade do domicílio e da correspondência serão suspensos, permitindo à Polícia e às Forças Armadas entrar em residências sem autorização judicial prévia e intercetar comunicações.
Além disso, as Forças Armadas serão mobilizadas para realizar operações contra organizações criminosas em coordenação prévia com a Polícia.
O decreto foi emitido na véspera do feriado da Páscoa, que dura três dias no Equador, período em que milhões de equatorianos viajam para outros pontos do país.
As províncias sujeitas à medida localizam-se sobretudo ao longo da costa, onde as organizações criminosas, principalmente envolvidas com o tráfico de droga, concentram as actividades, para enviar grandes quantidades de cocaína, produzida principalmente na Colômbia, para a Europa e para os Estados Unidos.
É o caso de Esmeraldas e El Oro, províncias fronteiriças com a Colômbia e o Peru, respetivamente, bem como de Guayas, Manabí, Santa Elena, Los Ríos e Santo Domingo de los Tsáchilas.
A estas províncias juntam-se Pichincha, onde se situa Quito, e a província amazónica de Sucumbíos, que também faz fronteira com a Colômbia.
Em Sucumbíos, as Forças Armadas equatorianas realizaram recentemente operações militares com o apoio dos Estados Unidos (EUA), alegadamente para destruir acampamentos pertencentes aos Comandos de Fronteira, um grupo dissidente das extintas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).
Os EUA tornaram-se um parceiro fundamental para o Equador na ‘guerra’ que Noboa declarou, no início de 2024, contra os grupos criminosos, que classificou de “terroristas”, devido à pior crise de violência da história do país.
Desde então, o Presidente equatoriano decretou sucessivos estados de emergência, cujo alcance variou consoante as circunstâncias, abrangendo por vezes todo o território nacional.
O penúltimo estado de emergência incluiu mesmo um recolher obrigatório noturno de 15 dias em quatro províncias, incluindo Guayas, cuja capital é Guayaquil.
Mas até agora os índices de violência têm continuado a subir, colocando-o no topo da América Latina em termos de homicídios, com mais de 50 por 100 mil habitantes em 2025.
Em 07 de março, Noboa afirmou que “acabou o tempo para as máfias” que acreditavam que as Américas eram o seu território, durante uma cimeira em Miami convocada pelo homólogo norte-americano Donald Trump.
Na cimeira, denominada ‘Escudo das Américas’, foi formalizada uma nova “coligação militar” na América Latina contra os cartéis do narcotráfico.
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