
Madrid, 02 abr 2026 (Lusa) – Dezoito países europeus instaram hoje Israel e o movimento libanês pró-iraniano Hezbollah a porem fim ao seu conflito, que dura há um mês e aumenta o temor do controlo israelita de parte do sul do Líbano.
“As operações militares israelitas no Líbano e os ataques do Hezbollah devem cessar”, declararam os ministros dos Negócios Estrangeiros de países como Itália, Espanha, Bélgica, Polónia e Irlanda, numa declaração conjunta.
“Instamos Israel a respeitar plenamente a soberania e a integridade territorial do Líbano e apelamos a todas as partes, Hezbollah e Israel, para que cessem as ações militares”, escreveram os 18 países europeus.
Outros países, como França, Reino Unido não assinaram este documento específico, bem como Portugal, que defende também esta posição e já subscreveu outras declarações conjuntas sobre esta matéria, anteriormente divulgadas.
O Líbano foi arrastado para o conflito em curso no Médio Oriente quando o Hezbollah, movimento xiita apoiado por Teerão, lançou morteiros sobre Israel, em retaliação pela ofensiva aérea lançada a 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel sobre o Irão e que, logo no primeiro dia, matou o líder supremo do regime da República Islâmica, o ‘ayatollah’ Ali Khamenei.
Israel ripostou com ataques aéreos maciços em todo o Líbano e uma ofensiva terrestre.
Segundo as autoridades libanesas, o conflito fez, em 30 dias, mais de 1.300 mortos e mais de um milhão de deslocados, o que representa mais de um sexto da população do país.
Os chefes da diplomacia europeus declararam-se “consternados com a situação dramática” no Líbano e apelaram para o fim dos ataques “injustificados e inaceitáveis” a alvos civis como profissionais de saúde, trabalhadores humanitários e jornalistas.
Comprometeram-se a continuar a fornecer ajuda humanitária à população libanesa e exortaram a comunidade internacional a “mobilizar-se mais” para ajudar o país.
No início desta semana, o ministro da Defesa israelita, Israel Katz, precisou que o Exército israelita vai ocupar uma parte do sul do Líbano mesmo depois do fim do atual conflito contra o Hezbollah.
Tais declarações reacenderam os receios quanto ao futuro da região, após a última ocupação israelita, que durou quase 20 anos.
Os signatários “encorajaram vivamente” Israel a entabular negociações diretas com as autoridades libanesas e afirmaram que as iniciativas de reforma do Governo libanês “devem ser apoiadas e não minadas”.
“Os esforços que visam apoiar a estabilização do Líbano são essenciais a uma paz e uma segurança duradouras no Médio Oriente. É urgente um desanuviamento. A diplomacia tem de prevalecer”, sustentaram os 18 ministros europeus.
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