
Lisboa, 02 abr 2026 (Lusa) – A artista Joana Vasconcelos apresenta, a partir de hoje, em São Paulo, Brasil, a instalação “Jardim do Éden”, no Farol Santander, numa “configuração inédita, pensada para a galeria do 23.º andar do edifício”, anunciou o atelier da artista.
“Transformando o espaço expositivo num ambiente imersivo, a instalação convida o público a atravessar um jardim artificial organizado como um percurso labiríntico”, descreve a apresentação da obra, que ficará patente até 21 de junho, com curadoria do produtor e artista brasileiro Fernando Zugno.
“Jardim do Éden”, que “propõe uma reflexão” sobre “natureza, artificialidade e tecnologia”, é apresentado em São Paulo “num ambiente totalmente escuro”, com o percurso a ser guiado “exclusivamente pela luz emitida pelas flores [que o compõem], enquanto uma paisagem sonora subtil, gerada pelo funcionamento mecânico da obra, reforça a sensação de imersão”, lê-se no comunicado hoje divulgado pelo atelier da artista.
Joana Vasconcelos, conhecida por transformar objetos do quotidiano em instalações monumentais, cruza artesanato, cultura popular e crítica social no seu trabalho, abordando temas como identidade, género, memória coletiva e herança cultural.
A par da instalação no Brasil, Joana Vasconcelos anunciara já, no mês de março, a apresentação do seu trabalho, este ano, em duas exposições em França, nomeadamente em Marselha e Villefranche-sur-Mer, ambas dedicadas aos temas da maternidade, do sonho e do surrealismo.
Uma das exposições é uma coletiva com o título de “Bonnes Mères”, que foi inaugurada no mês passado e estará patente no Museu das Civilizações da Europa e do Mediterrâneo, em Marselha, até ao final de agosto.
Paralelamente, a artista está a preparar “L’Absurde et le Rêve”, uma grande exposição de verão, que a junta ao escultor belga Arne Quinze, e que decorrerá em Villefranche-sur-Mer, entre junho e outubro.
Joana Vasconcelos, nascida em 1971, conta com uma carreira de mais de três décadas, que se caracteriza pela descontextualização de objetos do quotidiano e pela apropriação do artesanato tradicional, que adapta ao século XXI para questionar temas como o papel da mulher, a sociedade de consumo e a identidade cultural.
Vasconcelos representou oficialmente Portugal na Bienal de Arte de Veneza, em 2013, levando um cacilheiro transformado pela azulejaria ao recinto principal da mostra internacional contemporânea.
Foi a primeira artista mulher e a criadora mais jovem a apresentar o seu trabalho no Palácio de Versalhes (França), numa mostra individual que bateu recordes de visitantes, e tem levado a sua produção a instituições como o Museu Guggenheim Bilbao (Espanha), o Palácio Pitti e as Galerias Uffizi (Florença, Itália), entre outras.
Joana Vasconcelos, primeira artista a vencer o Prémio Novos Artistas Fundação EDP, em 2000, começou a expor na década de 1990, tendo o seu trabalho sido projetado internacionalmente em 2005, quando participou na Bienal de Veneza com a peça “A Noiva”, um lustre monumental composto por tampões de higiene íntima feminina.
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