Satélites vigiam florestas da Região de Coimbra para evitar fogos

Coimbra, 01 abr 2026 (Lusa) — A empresa EOS Data Analytics (EOSDA) vai monitorizar a floresta e prevenir incêndios com dados de satélite em 19 municípios da Região de Coimbra, num projeto que tem a duração de um ano.

Em comunicado, a empresa, com sede nos Estados Unidos, afirmou que, em 2025, a região de Coimbra contabilizou mais de 64.000 hectares ardidos e, para ajudar a evitar que a situação se repita, em parceria com a portuguesa EOSSAT, assinou um contrato com a Agência Espacial Europeia (ESA) para desenvolver “uma solução inovadora baseada em satélite para a monitorização florestal e prevenção de incêndios”.

Em conjunto com a Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Coimbra, a EOSDA irá abranger 19 municípios da região, numa área de 4.336 km², “identificando riscos de incêndio, apoiando a prevenção, avaliando perdas e planeando a recuperação florestal após os incêndios”.

O projeto, com início em março, tem financiamento do programa InCubed ESA, uma iniciativa gerida pelo ESA F-lab, que apoia o desenvolvimento de inovações e aplicações comerciais baseadas em dados de observação da Terra.

“Através do InCubed, a ESA apoia a transformação de dados de Observação da Terra em serviços que respondem a desafios reais”, afirmou o responsável pelo InCubed na ESA, citado no comunicado.

Para Daniele Romagnoli, o projeto em Coimbra é um “exemplo de como a tecnologia de satélite pode ajudar uma organização local a avaliar riscos e impactos dos incêndios, bem como a orientar o planeamento da recuperação”.

A solução combina dados do satélite EOS SAT-1, que tem uma resolução de três metros, com processamento automatizado e validação por especialistas.

Os municípios receberão mapas trimestrais com alterações na cobertura florestal, áreas ardidas e progresso da recuperação, através da plataforma Sistema de Apoio à Decisão e Gestão da Emergência (SADGE) da CIM Região de Coimbra.

“Estamos verdadeiramente empenhados em reduzir o impacto dos incêndios florestais nas comunidades e no ambiente”, disse o diretor-geral da EOSDA.

Segundo Oleksii Shchehliuk, esta experiência é aplicada “para reforçar a resiliência aos incêndios na região de Coimbra”, que serve como área piloto, considerando que o “projeto tem um forte potencial de expansão para outras regiões e países que enfrentam riscos semelhantes”.

Segundo a empresa, ao longo do projeto de 12 meses, a monitorização florestal poderá atingir até 90% de precisão na identificação de áreas de risco de incêndio, o que poderá contribuir para uma redução de até 30% no número de incêndios.

Uma maior precisão na monitorização, continuou, poderá também ajudar as equipas de prevenção a atuar de forma mais eficaz.

“Até 25.000 hectares por ano poderão ser preservados apenas na Região de Coimbra”, concluiu.

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