
Pequim, 01 abr 2026 (Lusa) — Os prejuÃzos do gigante imobiliário chinês Vanke cresceram 79% em 2025, para 88,6 mil milhões de yuan (11,1 mil milhões de euros), pior do que as próprias previsões da empresa.
Após um segundo exercÃcio em prejuÃzo, a Vanke acumula perdas de 138 mil milhões de yuan (17,3 mil milhões de euros) desde 2024. Antes disso, tinha sempre apresentado lucros desde a sua entrada em bolsa, em 1991.
Na demonstração de resultados enviada à Bolsa de Hong Kong, onde está cotada, a promotora indicou que as receitas caÃram 32% em termos homólogos, para 233,4 mil milhões de yuan (29,3 mil milhões de euros), devido à prolongada crise no setor desde o inÃcio da década.
Em concreto, as vendas da Vanke medidas por área de construção recuaram 43,4%, para cerca de 10,25 milhões de metros quadrados ao longo de 2025, ano em que entregou 117 mil habitações — uma prioridade definida por Pequim para as promotoras no contexto da crise imobiliária, de forma a evitar problemas sociais, já que o imobiliário é um dos principais veÃculos de investimento das famÃlias chinesas.
O caso da Vanke é relevante porque, após o colapso de gigantes privados como Evergrande ou Country Garden devido à s respetivas crises de dÃvida, era uma das poucas promotoras estatais que ainda mantinha uma notação de crédito favorável até que, em março de 2025, as principais agências a desceram para a categoria de ‘lixo’, com várias revisões em baixa desde 2024.
Isto colocou-a como uma empresa-chave para avaliar a postura das autoridades face ao setor. A Vanke tem evitado entrar em incumprimento da sua dÃvida apenas graças a empréstimos de cerca de 4,2 mil milhões de dólares (3,63 mil milhões de euros) concedidos pelo principal acionista, a Shenzhen Metro.
No entanto, esse apoio está em causa desde o final de 2025, uma vez que as autoridades apontam agora para condições mais exigentes para continuar a financiar o grupo, o que tem levado os investidores a duvidar da sua capacidade de evitar o incumprimento e a temer um eventual efeito de contágio sobre outras promotoras que também resistiam.
A Vanke conseguiu, para já, evitar uma entrada em incumprimento ao obter o apoio dos credores com uma proposta melhorada para adiar o vencimento de algumas obrigações, estando a preparar um dos maiores planos de reestruturação da história da China.
O resultado negativo de 2025 “não se deveu apenas a fatores externos, mas também a questões internas, como erros de avaliação em operações”, indicou a empresa, acrescentando: “Será necessário tempo para resolver os encargos e problemas resultantes do anterior modelo de desenvolvimento baseado em elevados nÃveis de endividamento”.
“Os riscos não foram totalmente resolvidos, e as operações e o desenvolvimento do grupo continuam a enfrentar desafios graves”, sublinhou.
Segundo a agência de notÃcias Bloomberg, a promotora enfrenta mais de 11 mil milhões de yuan (1,38 mil milhões de euros) em vencimentos de obrigações nos próximos meses, e apresentava no final do exercÃcio uma lacuna de refinanciamento de curto prazo de cerca de 93 mil milhões de yuan (11,7 mil milhões de euros).
A posição financeira de muitas imobiliárias chinesas deteriorou-se depois de, em agosto de 2020, Pequim ter anunciado restrições ao acesso ao financiamento bancário para promotoras com elevados nÃveis de dÃvida, entre as quais se destacava a Evergrande, com um passivo de quase 330 mil milhões de dólares (285 mil milhões de euros).
Perante este cenário, o Governo tem anunciado várias medidas de apoio, com os bancos estatais a abrirem também linhas de crédito multimilionárias para diversas promotoras.
Ainda assim, o mercado não reage: as vendas comerciais medidas por área de construção caÃram 24,3% em 2022, 8,5% em 2023, mais 12,9% em 2024 e 8,7% em 2025.
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JPI // VQ
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