
Teerão, 31 mar 2026 (Lusa) — As autoridades iranianas denunciaram hoje vários ataques israelo-americanos em diferentes zonas do Irão que terão visado alvos militares, mas também a produção de medicamentos anticancro, uma central de dessalinização e um complexo religioso.
Ao entrar no segundo mês, a guerra no Médio Oriente, que abala a economia mundial e já causou mais de três mil mortos, não apresenta sinais de abrandamento, apesar de diligências diplomáticas.
No centro do Irão, vários ataques visaram hoje “locais militares” em Ispahan, disse uma autoridade local citada pela agência de notícias Fars.
A província de Ispahan é um centro nevrálgico da indústria militar e de defesa iraniana, de acordo com a agência de notícias France-Presse (AFP).
Alberga importantes instalações nucleares, incluindo o complexo de Natanz, que tem sido alvo de ataques desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.
Estes locais nucleares já tinham sido visados durante a guerra de 12 dias com Israel em junho de 2025, em que os Estados Unidos também realizaram bombardeamentos.
A província de Ispahan acolhe igualmente várias bases militares importantes, incluindo as bases aéreas de Badr e de Shekari.
A Fars mencionou “várias explosões” e falhas de energia “em certas partes” de Teerão.
Já a agência iraniana Tasnim noticiou explosões no leste e no oeste da capital, bem como perturbações no abastecimento de energia no leste, entretanto resolvidas.
O Governo iraniano denunciou também ataques contra uma instalação de uma das maiores empresas farmacêuticas do Irão, que produz medicamentos contra o cancro e anestésicos.
“Nos ataques realizados hoje de manhã (…) contra infraestruturas civis, uma das maiores empresas produtoras de medicamentos especializados, anticancerígenos e anestésicos, foi danificada, nomeadamente a linha de produção”, declarou o Governo.
A agência iraniana Isna noticiou que vários ataques atingiram, e colocaram fora de serviço, uma central de dessalinização na ilha de Qeshm, no estreito de Ormuz.
Setor e recurso vitais para mil milhões de habitantes na região, as centrais de dessalinização tornaram-se alvos na guerra contra o Irão.
No noroeste do Irão, um centro religioso muçulmano que acolhe reuniões xiitas e cerimónias de luto foi danificado por ataques israelo-americanos, disse a televisão estatal.
O edifício da Grande Hosseini “foi danificado na sequência do ataque realizado de manhã pelo inimigo na rua Ferdowsi”, na cidade de Zanjan, afirmou a mesma fonte.
O Ministério do Património Cultural iraniano disse na sexta-feira que os ataques israelo-americanos danificaram pelo menos 120 museus, edifícios históricos e locais culturais no país desde o início do conflito.
Apesar dos ataques, o Irão continuou a disparar durante a noite.
A radiotelevisão estatal iraniana Irib anunciou um disparo de mísseis em direção a Israel e a AFP noticiou a ocorrência de pelo menos 10 explosões sobre Jerusalém.
Os serviços de socorro israelitas transportaram oito feridos ligeiros para hospitais na região de Telavive.
No Dubai, ouviram-se novamente explosões durante a manhã, depois de quatro pessoas terem ficado feridas pela queda de detritos durante uma interceção da defesa aérea.
Um petroleiro com bandeira do Koweit foi atingido por um ataque de drone perto do porto do Dubai.
O incêndio provocado no navio foi controlado e não causou feridos, segundo as autoridades do Dubai.
Na Arábia Saudita, as autoridades disseram que intercetaram nas últimas horas oito mísseis balísticos, com os destroços de um deles a causar dois feridos a sudeste de Riade.
O Irão respondeu à ofensiva israelo-americana com ataques contra os países da região, que já causaram 11 mortos nos Emirados Árabes Unidos e dois na Arábia Saudita.
A guerra provocou mais de três mil mortos na região, a maioria no Irão e no Líbano, país sob bombardeamentos israelitas por o grupo libanês pró-iraniano Hezbollah atacar alvos em Israel.
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