
Nações Unidas, Nova Iorque, 30 mar 2026 (Lusa) – O secretário-geral da ONU alertou hoje que ataques deliberados contra soldados de operações da paz são graves violações do direito internacional humanitário e podem constituir crimes de guerra.
“Reiteramos que ninguém devia morrer ao serviço da causa da paz. (…) Os ataques deliberados contra soldados de manutenção da paz são graves violações do direito internacional humanitário e da Resolução 1701 do Conselho de Segurança, podendo constituir crimes de guerra”, sublinhou António Guterres, depois da morte de mais dois “capacetes azuis” no Líbano, de acordo com um comunicado.
Dois soldados da Força de Paz da ONU no Líbano (FINUL), naturais da Indonésia, foram mortos no sul do Líbano, quando uma explosão de origem desconhecida destruiu o veículo em que seguiam perto de Bani Hayyan.
Outros dois soldados ficaram feridos, um deles com gravidade, indicou a ONU.
Trata-se do segundo incidente mortal nas últimas 24 horas, uma vez que um soldado da paz indonésio já havia sido morto no domingo, em Ett Taibe, disse Jean-Pierre Lacroix, subsecretário-geral para as Operações de Paz da ONU.
Na sequência dos ataques, a ONU anunciou uma investigação para determinar os contornos dos incidentes mortais.
“Reiteramos a necessidade urgente de que todos os intervenientes cumpram as obrigações perante o direito internacional e garantam a segurança do pessoal e dos bens da ONU em todos os momentos, incluindo evitar quaisquer ações que possam colocar os soldados de manutenção da paz em perigo”, pediu Guterres.
“O custo humano deste conflito é demasiado elevado. A violência, como já dissemos, tem de acabar”, reiterou o líder das Nações Unidas.
Os ataques contra “capacetes azuis” aconteceram em pleno conflito entre Israel e o grupo xiita libanês Hezbollah, que se juntou à guerra no Médio Oriente para apoiar o Irão após o assassínio do então líder supremo iraniano Ali Khamenei, na sequência do ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel em 28 de fevereiro.
Numa conferência de imprensa, em Nova Iorque, Jean-Pierre Lacroix manifestou preocupação com o aumento da presença e ataque das Forças de Defesa de Israel (IDF) no Líbano.
“Com base no que estamos a assistir, assim como em várias declarações das autoridades israelitas, e também nas ordens de evacuação de civis, certamente parece que podemos acabar com, diria, uma zona tampão alargada no sul do Líbano”, declarou o subsecretário-geral.
No domingo, o primeiro-ministro israelita disse que “ordenou a expansão da zona de segurança existente” no sul do Líbano, o que levará a uma maior ocupação militar israelita do país vizinho.
Benjamin Netanyahu justificou a decisão com a necessidade de “frustrar a ameaça de invasão e impedir o lançamento de mísseis antitanque na fronteira”, argumentando que o Hezbollah ainda conserva “uma capacidade residual de lançar foguetes”.
Mais de 1.200 pessoas já morreram devido à guerra em curso entre Israel e o Hezbollah e o número de feridos ultrapassa os 3.500, de acordo com o Ministério da Saúde libanês.
A FINUL, que opera numa região no sul do país, junto à fronteira com Israel e supostamente vedada tanto aos militares israelitas como aos combatentes do Hezbollah, termina o mandato este ano.
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