
Lisboa, 30 mar 2026 (Lusa) — O Bloco de Esquerda entregou hoje na residência oficial do primeiro-ministro uma carta assinada por “cerca de 8.500 pessoas” que pedem ao Governo que proíba a utilização da Base das Lajes pelos EUA para ataques ao Irão.
O coordenador do partido, José Manuel Pureza, liderou a delegação do partido que foi recebida pelo assessor diplomático do primeiro-ministro.
“O que viemos aqui trazer ao Governo foi uma carta aberta, subscrita por cerca de 8.500 pessoas, que dão voz a este sentimento de indignação, de exigência ao Governo de que condene este conflito e que o faça, sobretudo, de uma forma muito concreta, proibindo realmente, e não retoricamente, proibindo realmente a utilização da base das Lajes por aeronaves norte-americanas para este efeito”, afirmou o líder do BE.
José Manuel Pureza indicou que a missiva exige ao executivo liderado por Luís Montenegro que siga o exemplo de Espanha, que fechou o espaço aéreo a todos os voos envolvidos nos ataques ao Irão e recusou a utilização de duas bases militares pelos EUA.
“Custa a crer que o Governo, perante tudo isto, tenha uma posição de grande cumplicidade materializada numa utilização da Base das Lajes que contraria tudo aquilo que são regras essenciais do direito internacional e até do direito português”, criticou.
O coordenador do Bloco de Esquerda referiu-se também à notícia avançada pela SIC que dá conta de que drones militares MQ-9 Reaper, conhecidos como “drones assassinos”, vão chegar esta noite à Base das Lajes.
Pureza considerou que “o facto de hoje mesmo estar programado uma aterragem na Base das Lajes de um número muito significativo de drones norte-americanos para utilização no conflito agrava essa cumplicidade do Governo português”.
O dirigente bloquista disse lhe foi indicado pelo assessor diplomático do primeiro-ministro que a carta chegará a Luís Montenegro.
“O que é importante que o país perceba, desejavelmente o Governo também, é que há muita gente no nosso país que olha para esta guerra com uma enorme indignação, com uma enorme preocupação e que se sente lesada, enquanto tal, na sua carteira, no dia-a-dia, no supermercado, no preço da habitação, com os efeitos desta guerra”, alertou.
O bloquista considerou também que “os factos dão razão a quem olha para isto com enorme preocupação e com enorme revolta”. “A verdade é que depois de o ministro Paulo Rangel ter dito que o Governo português estabelecia condições imperativas para a utilização da Base das Lajes, isso já aconteceu depois da Base das Lajes já ter sido utilizada por aeronaves norte-americanas para o seu envolvimento na guerra. Portanto, o governo pode não confirmar, pode não desmentir, mas os factos confirmam”, defendeu.
Em 28 de fevereiro, os Estados Unidos e Israel iniciaram uma guerra contra o Irão, que já teve consequências em vários países, como os Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Qatar, Bahrein, entre outros, que foram atingidos por bombardeamentos.
O Governo português deu uma “autorização condicionada” ao uso da Base das Lajes, já depois do início do ataque, apontando como requisitos que a infraestrutura só podia ser utilizada “em resposta a um ataque, num quadro de defesa ou retaliação”, que a ação tinha de ser “necessária e proporcional” e que só podia “visar alvos de natureza militar”.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, afirmou em meados de março, no parlamento, que, do que tem sido dado a conhecer ao Governo, a utilização da Base das Lajes pelos Estados Unidos da América “tem cumprido os pressupostos subjacentes à autorização” dada por Portugal.
Desde o início do ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irão que vários aviões reabastecedores têm descolado das Lajes, quase todos os dias, em missões de reabastecimento.
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