
Porto, 27 mar 2026 (Lusa) — O Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto tem vindo a registar uma “tendência de diminuição anual” de dadores de sangue com quebras que podem atingir os 5% ao ano, disse hoje a responsável do serviço de Imuno-hemoterapia.
Em declarações à agência Lusa, por ocasião do Dia Nacional do Dador de Sangue que se assinala hoje, Maria Rosales disse que, desde a pandemia, “se tem verificado uma tendência de diminuição” todos os anos com “quebras de ‘stock’ e nas reservas”.
“Felizmente, em eritrócitos não chegamos a esse ponto [recurso à s reservas do Instituto Português do Sangue e da Transplantação]. Nesse aspeto, vamos sendo autossuficientes. Mas, em termos de plaquetas, que têm uma vida bastante reduzida, temos que gerir diariamente e, à s vezes, sim, temos que recorrer ao instituto para colmatar em momentos pontuais esta falta”, descreveu.
Em 2025, foram transfundidos no IPO do Porto 2.427 doentes, num total de 7.294 transfusões de eritrócitos e 4.834 transfusões de plaquetas.
De acordo com dados enviado à Lusa por este hospital oncológico, no ano passado o IPO do Porto registou um total de 8.603 dádivas de sangue.
Nesse perÃodo, foram ainda registados 1.385 novos dadores, dos quais 690 concretizaram a sua primeira dádiva efetiva na instituição.
No que diz respeito ao perfil etário, 949 dos dadores inscritos pertenciam à faixa entre os 18 e os 24 anos.
“Este grupo constitui uma prioridade estratégica para o IPO do Porto, tendo em conta a sua localização num polo universitário e a importância de promover a iniciação precoce à dádiva, bem como a fidelização destes jovens dadores”, lê-se na informação enviada à Lusa.
Reforçando esta mensagem, a diretora do serviço de Imuno-hemoterapia do IPO do Porto contou que vai ser lançada hoje uma campanha desenvolvida em parceria com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) que visa aumentar e fidelizar o número de dadores de sangue entre os 18 e os 40 anos.
“O nosso objetivo é angariar dadores saudáveis jovens. A idade para poder doar sangue foi ampliada até aos 70 anos, caso a pessoa mantenha condições de saúde favoráveis, mas consideramos importante focar nos jovens, porque são os dadores do futuro”, referiu Maria Rosales.
A responsável contou que o mote da campanha — “Tu és o tipo de alguém” — procura estabelecer uma associação simbólica entre a dádiva de sangue e as aplicações de encontros e mostra que dar sangue é também um gesto de amor e altruÃsmo.
“Também tentaremos ultrapassar mitos e tabus e a ideia de que a dádiva de sangue é um processo longo e doloroso, o que não é verdade”, acrescentou.
Citado no comunicado enviado à Lusa, o coordenador da campanha e docente da UTAD, Fábio Ribeiro, destacou “a experiência prática relacionada com a dádiva de sangue”, considerando “cada vez mais decisivo para as universidades o desenvolvimento de competências em diálogo com instituições externas à sua missão académica, cientÃfica e pedagógica”.
A campanha arranca hoje e prolonga-se durante um ano, com diferentes iniciativas.
Está prevista a divulgação de conteúdos explicativos sobre o processo, bem como o jogo “Verdade ou Consequência”, concebido como ferramenta informativa para garantir o acesso à informação médica precisa e cientificamente validada.
Uma das principais preocupações identificadas entre os jovens, pelos estudantes da UTAD, está relacionada com o receio de agulhas.
Para ultrapassar este fator inibidor, a campanha inclui sugestões para o momento da colheita, como a ingestão adequada de água e a disponibilização de uma ‘playlist’ no ‘Spotify’ com cerca de 10 minutos, o tempo médio da colheita, para ajudar os mais ansiosos a relaxar.
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