
Um grande estudo conduzido por especialistas do St. Michael’s Hospital, Unity Health Toronto e da University of Toronto revela que pacientes de bairros com menor rendimento no Ontário enfrentam um risco significativamente mais elevado de morte nas semanas após uma cirurgia programada.
A análise incluiu mais de um milhão de pacientes do Ontário que submeteram‑se a cirurgias hospitalares planeadas ao longo de vários anos, com dados recolhidos pelo instituto independente de investigação ICES.
Os resultados mostram que quem vive nas zonas com rendimentos mais baixos tinha cerca de 43 % maior probabilidade de morrer dentro de 30 dias após a cirurgia, em comparação com quem mora nas áreas mais ricas da província, apesar de ambos terem acesso ao mesmo sistema de saúde público.
Os investigadores sublinham que estes padrões persistem mesmo depois de ajustar fatores como idade, condições de saúde pré‑existentes, complexidade do procedimento e hospital onde o tratamento foi realizado, sugerindo que as desigualdades socioeconómicas afetam os resultados cirúrgicos.
Embora o Canadá tenha um sistema de saúde universal, a investigação aponta para a importância de abranger não só cuidados clínicos, mas também as condições sociais que influenciam a saúde dos pacientes, como habitação, rendimento, educação e outros determinantes sociais.
Especialistas afirmam que melhorar os desfechos cirúrgicos exige atenção às desigualdades estruturais, incluindo apoio adicional antes, durante e depois da cirurgia para pessoas em comunidades mais vulneráveis.
Os resultados destacam a necessidade de políticas de saúde pública que abordem diferenças económicas e sociais para aumentar a equidade nos cuidados e nos resultados clínicos, mesmo num sistema de cobertura universal como o canadiano.
