Primeiro ano de Fernando Gomes à frente do COP foi “extremamente positivo”

Lisboa, 25 mar 2026 (Lusa) — A secretária-geral do Comité Olímpico de Portugal (COP), Diana Gomes, faz, em entrevista à Lusa, um balanço “extremamente positivo” do primeiro ano mandato da presidência de Fernando Gomes, destacando o reforço do apoio aos atletas.

Diana Gomes explica que os últimos 12 meses foram de “muita aprendizagem” pela necessidade de “pegar numa máquina tão grande como comité” e, ao mesmo tempo, melhorar processos.

Entre os desafios iniciais, destaca a obrigação de corrigir o orçamento encontrado à chegada.

“Encontrámos algumas verbas que não tinham dotação para o ano que passou. Tivemos que fazer essa correção e esses foram eventualmente os maiores entraves”, recorda.

Ainda assim, garante que o COP entrou rapidamente numa fase de estabilidade e sempre com um objetivo central: reforçar a proximidade com as federações e colocar os atletas no centro das decisões.

“Estamos a colocar o atleta no centro de todas as decisões, no centro de todas as conversas, no centro de todas as negociações. A nossa proximidade com as federações tem sido cada vez maior, porque o nosso objetivo é melhorar as condições do atleta”, salienta.

A própria nomeação de Diana Gomes representou um marco histórico para o COP, não apenas por ser a primeira mulher no cargo de secretária-geral, mas também a primeira atleta a assumir essa posição.

“Esta questão de ser a primeira mulher … Eu aglomero também a questão de ser a primeira atleta — homem ou mulher — a chegar a um cargo deste porte. Creio que para os atletas esse sinal foi muito bom”, afirma.

Para a antiga nadadora olímpica, o simbolismo foi ainda maior porque, no momento do convite, estava grávida — algo que, sublinha, nunca foi visto como um obstáculo.

A sua experiência enquanto atleta, qualificada pela primeira vez para os Jogos Olímpicos de Atenas2004 aos 14 anos, molda hoje a forma como lidera.

“Ter sido atleta tão jovem. Ter conseguido sentir na pele todas as dificuldades que foi compaginar o desporto com a parte dos estudos (…). Acho que acabo por personalizar — ter muito em mim — todas as dificuldades que muitos atletas vão sentido ao longo da carreira. Claramente, isso é algo aplicável e eu tenho sempre muito presente e muito cuidado no desenvolvimento de todo o nosso trabalho no COP”, observa.

A promessa de colocar os atletas no centro não ficou apenas no discurso e Diana Gomes destaca medidas concretas, como o reforço da equipa multidisciplinar de apoio às federações.

“Os atletas e as federações vão poder ter um suporte maior através do COP — é 100%, 200%, direcionado para a melhoria da qualidade e da performance do atleta”, vinca, sublinhando o contacto direto e constante do presidente do organismo, Fernando Gomes, com os atletas do Projeto Olímpico.

O primeiro ano também foi marcado pela transição após o período interino de Artur Lopes, que assumiu a presidência após a morte de José Manuel Constantino.

Diana Gomes reconhece que foi uma fase delicada, mas acredita que o essencial se manteve intacto:”O legado vão ser sempre os atletas (…). O Comité Olímpico existe para os atletas. (…) Nós queremos performance, nós queremos as medalhas, queremos ouvir o hino, nós queremos os sorrisos. (…) Seja que presidente for que tenhamos, o legado que fica são os nossos atletas e os nomes deles”.

Apesar das diferenças geracionais, a relação com Fernando Gomes tem sido um dos pilares da atual liderança.

“Eu com 36 anos e o presidente fez agora 74… Temos uma fantástica sorte em ter um dos maiores líderes desportivos de todos os tempos à frente do COP”, realça.

Para o futuro, o COP quer aprofundar a relação direta e discreta com as federações, reforçar a presença internacional e garantir que mais portugueses ocupem cargos em organismos olímpicos e federativos.

A ambição passa também por atrair novos parceiros privados: “Queremos trazer patrocinadores que nunca antes cá estiveram… a nossa ambição é grande.”

*** João Moura Lacerda, da agência Lusa ***

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