
Sydney, Austrália, 25 mar 2026 (Lusa) – A presidente da Comissão Europeia defendeu hoje o acordo comercial entre a Austrália e o bloco europeu como uma resposta estratégica a um mundo “mais competitivo e conflituoso”, no qual comércio, investimento e tecnologia são “utilizados como armas”.
Durante um discurso perante o Conselho Empresarial Europeu-Australiano em Sydney, Von der Leyen alertou que a economia global atravessa um “ponto de inflexão” e que já não se trata apenas de uma corrida económica, mas de “uma luta”, num contexto marcado por tensões geopolíticas, interrupções nas cadeias de abastecimento e guerras que afetam setores-chave como energia, alimentos ou a indústria química.
Neste cenário, a líder europeia sublinhou a importância do reforço de alianças “fiáveis e previsíveis” e posicionou o novo pacto de comércio livre com a Austrália como peça central da estratégia da UE no Indo-Pacífico, uma região que descreveu como o “coração do comércio mundial” e onde se concentra 60% da população global.
O acordo, anunciado esta semana, juntamente com o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, põe fim a quase uma década de negociações e prevê a eliminação de direitos aduaneiros no comércio bilateral.
Von der Leyen salientou ainda que o tratado vai corrigir desvantagens que as empresas europeias enfrentavam na Austrália e permitir liberalizar os fluxos de investimento em ambos os sentidos.
“Estamos a transformar a nossa confiança mútua em benefícios tangíveis”, afirmou.
A dirigente também colocou o foco na cooperação em matérias-primas críticas – como o lítio, do qual a Austrália possui grandes reservas – com o objetivo de desenvolver cadeias de valor mais resilientes e reduzir dependências externas.
Além disso, o acordo é complementado por uma nova parceria em matéria de segurança e defesa que inclui exercícios militares conjuntos, cooperação em cibersegurança e luta contra o terrorismo, reflexo de interesses “cada vez mais convergentes” entre ambas as regiões, acrescentou.
“Podemos estar distantes no mapa, mas estamos próximos em valores e confiança”, concluiu Von der Leyen.
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