
Copenhaga, 24 mar 2026 (Lusa) — A coligação de esquerda liderada pela atual primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, terá vencido as eleições legislativas antecipadas, hoje realizadas, com pelo menos 47,1% dos votos, segundo as primeiras projeções.
A direita arrecadou um total de 42,2% dos votos, enquanto o partido centrista Os Moderados surge com 8,2%, segundo a sondagem à boca das urnas da televisão estatal DR.
O Partido Social-Democrata de Frederiksen foi o mais votado com 19,2%, o pior resultado num século, mas suficiente para ficar à frente do Partido Popular Socialista, com 11,4%, da Aliança Liberal, com 10,5%, e do Partido Liberal, com 9,3%.
A sondagem da DR atribui à esquerda 83 lugares, contra 78 da direita e 14 dos Moderados, enquanto outra sondagem realizada pelo canal TV2 aumenta a vantagem da esquerda em relação à direita para seis pontos percentuais (49% contra 43,1%) e 11 mandatos (86 contra 75), embora continuasse a necessitar do apoio dos centristas para governar.
Os quatro deputados, que se repartem em partes iguais entre os dois territórios autónomos das Ilhas Faroé e da Gronelândia poderão também ser decisivos na hora de determinar a maioria.
No caso da Gronelândia, as mesas de voto só encerram às 00:00 locais (23:00 em Lisboa) e o resultado só será conhecido na quarta-feira.
Os números das sondagens apontam para um recuo das três forças que governaram em conjunto na última legislatura — social-democratas, Partido Liberal e centristas —, uma fórmula inédita na política dinamarquesa a que Frederiksen recorreu, invocando a difícil situação geopolítica.
No bloco de esquerda, a força política que mais avança seria o Partido Socialista Popular, com mais de três pontos, confirmando a vitória histórica alcançada nas eleições europeias de 2024 e o bom resultado nas eleições autárquicas de há quatro meses, nas quais ganhou aos social-democratas a presidência da Câmara de Copenhaga.
No bloco de direita, o grande vencedor seria a Aliança Liberal, que se tornaria a principal força do bloco, apesar das dúvidas sobre os efeitos da confissão feita durante a campanha pelo seu líder, Alex Vanopslagh, de que tinha consumido cocaína em várias ocasiões no início da sua presidência do partido.
O Partido Popular Dinamarquês, de extrema-direita, força precursora há duas décadas de uma linha dura em matéria de imigração na Dinamarca e no resto da Escandinávia, recuperaria peso na política dinamarquesa, triplicando os seus votos para 7,5%.
Até 12 forças políticas ultrapassariam a barreira mínima de 2% para entrar no Folketing (parlamento dinamarquês), o mesmo número que atualmente.
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