
Uma vasta sondagem do Angus Reid Institute mostra que 50 % dos canadianos afirmam não ter um médico de família ou teem dificuldade em consultar o seu quando necessário.
Este valor representa um aumento de 25 % face à situação há uma década, quando cerca de quatro em cada dez pessoas apontavam problemas semelhantes.
Ao mesmo tempo, a percentagem daqueles que conseguem marcar uma consulta rápida — num ou dois dias — caiu 9 % .
A crise de acesso não se fica pelos médicos de família. Entre os que procuraram cuidados recentemente, 55 % relataram dificuldades em conseguir uma consulta com um especialista e 52 % tiveram obstáculos em obter cuidados de urgência no hospital.
Estes números estão a afetar a forma como os canadianos percebem o sistema de saúde. Sete em cada dez consideram que a qualidade dos cuidados na sua província piorou ao longo dos anos, mesmo com o incremento substancial dos gastos públicos em saúde.
As dificuldades variam regionalmente. Em Saskatchewan, quase dois terços dizem ter problemas com médicos de família, enquanto outras províncias também enfrentam desafios persistentes.
A sondagem sinaliza ainda que uma parte significativa da população já passou mais de um ano à procura de um médico ou desistiu da procura por completo.
Especialistas apontam como causas um envelhecimento demográfico, médicos que optam por outras especialidades e estilos de vida profissionais que limitem a disponibilidade dos clínicos gerais.
No fundo, esta realidade levanta questões sobre como garantir que toda a população tenha acesso rápido e eficiente a cuidados de saúde primários — algo que muitos canadianos sentem estar a falhar neste momento.
