
Maputo, 23 mar 2026 (Lusa) — As autoridades moçambicanas asseguraram hoje que a água da rede disponível está em condições de ser consumida, apesar de turva e da qualidade estar ameaçada devido às chuvas dos últimos meses.
“A qualidade está um pouco ameaçada, mas é água própria para o consumo, que está a ser testada. Pode ter algum sinal de estar um pouco turva, mas é água com certa qualidade, segundo informações que estamos a receber dos nossos técnicos que estão a trabalhar nisto”, disse aos jornalistas o presidente do Fundo do Investimento do Património do Abastecimento de Água e Saneamento (Fipas), Miguel Langa, em Maputo.
O responsável falava à margem de uma reunião do setor das águas, organizado pelo Ministério das Obras, Habitação e Recursos Hídricos para apresentar principais desafios, oportunidades e soluções sustentáveis, além de caminhos inovadores para acelerar a expansão, eficiência e resiliência do setor do subsetor de abastecimento de água e saneamento em Moçambique.
Miguel Langa assegurou ainda que o evento teve também o objetivo de apresentar projetos que precisam de grandes investimentos no setor de águas, assegurando estar, neste momento, uma equipa especializada do setor dos recursos hídricos a trabalhar para mobilizar recursos, visando estabilizar a situação.
“Esta crise também tem a ver com esta época chuvosa em que nós estamos, as águas andam meio-turvas e exigem um pouco de esforço para o seu tratamento, exige que se gaste muitos químicos para que se estabilize aquilo que é a qualidade”, reconheceu Miguel Langa.
Segundo o presidente do Fipas, estão também em curso trabalhos de mobilização de recursos para se desenvolver projetos de abastecimento de água em todas as regiões do país, pedindo a colaboração de parceiros para a concretização destes objetivos.
“Mas o primeiro passo é identificar os projetos estruturantes, os projetos que são críticos, sobretudo aqueles que estão já inscritos naquilo que é o Plano Quinquenal do Governo, e o que estamos a lançar hoje é o início desse processo, em que se espera que até maio seja lançado aquilo que será a agenda de um plano diretor para fazer a mobilização de recursos”, acrescentou o responsável, esperando que seja um plano estruturado, com projetos prioritários.
O número de mortos na atual época das chuvas em Moçambique subiu para 296, com mais de um milhão de pessoas afetadas, desde outubro, segundo nova atualização do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
De acordo com informação da base de dados do INGD atualizada esta manhã, contabilizam-se mais sete mortos em 24 horas, tendo sido afetadas 1.015.904 pessoas (mais 10.000 face ao balanço anterior) na presente época das chuvas – que se prolonga ainda até abril -, correspondente a 232.280 famílias, havendo também 17 desaparecidos e 351 feridos.
Só as cheias de janeiro provocaram, pelo menos, 43 mortos, 147 feridos e nove desaparecidos, afetando globalmente 715.716 pessoas. Já a passagem do ciclone Gezani em Inhambane, em 13 e 14 de fevereiro, causou mais quatro mortos e afetou 9.040 pessoas, segundo os dados do INGD.
No total, 21.679 casas ficaram parcialmente destruídas, 10.179 totalmente destruídas e 204.789 inundadas, na presente época chuvosa, com um total de 304 unidades de saúde, 104 locais de culto e 722 escolas afetadas em menos de seis meses.
Os dados do INGD indicam ainda que 267.205 hectares de áreas agrícolas foram perdidos, afetando 354.811 agricultores, e 531.068 animais morreram, entre bovinos, caprinos e aves.
Foram ainda afetados nesta época das chuvas 8.434 quilómetros de estradas, 50 pontes e 237 aquedutos.
Desde outubro, o instituto de gestão de desastres moçambicano ativou 184 centros de acomodação, que chegaram a albergar 127.426 pessoas, dos quais 53 ainda estão ativos (mais cerca de 40 na última semana, devido às recentes inundações), com pelo menos 17.430 pessoas, além do registo de 7.214 pessoas que tiveram de ser resgatadas.
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