
Nova Iorque, EUA, 22 mar 2026 (Lusa) — O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, Carlos Fernández de CossÃo, afirmou hoje que as forças armadas do paÃs estão a preparar-se para uma possÃvel agressão militar dos Estados Unidos da América.
“As nossas forças armadas estão sempre preparadas e, de facto, nestes dias, estão a preparar-se para a possibilidade de uma agressão militar”, disse, numa entrevista ao programa norte-americano “Meet the Press”, da NBC News.
“O nosso paÃs sempre esteve disposto a mobilizar-se como nação no seu conjunto perante uma agressão militar. A verdade é que sempre vimos isso como algo muito distante. Não acreditamos que seja provável, mas serÃamos ingénuos se não nos preparássemos”, referiu.
As tensões entre os Estados Unidos e Cuba intensificaram-se este ano, após a captura e a detenção do anterior Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em janeiro deste ano, por parte das forças norte-americanas, num ataque em Caracas.
Na altura, Trump e o secretário de Estado, Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos, alertaram que Cuba poderia ser o próximo paÃs a enfrentar uma intervenção militar norte-americana.
Na entrevista de hoje à NBC News, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros cubano vincou que o paÃs não vê “qualquer justificação” para uma eventual ação militar em Cuba, porque o paÃs é pacÃfico e não representa “nenhuma ameaça” para os Estados Unidos.
Os jornais norte-americanos Miami Herald e The New York Times publicaram nos últimos dias informações indicando que o Governo norte-americano estaria a procurar, no âmbito das negociações com Havana, um substituto para o Presidente cubano, Miguel DÃaz-Canel, visto como um obstáculo a um entendimento para negociações entre os dois paÃses.
A Casa Branca e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, negaram estas informações.
Também hoje, num discurso numa reunião da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), em Bogotá, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, Bruno RodrÃguez, disse que Cuba está aberta a um “diálogo sério” com Washington, desde que não haja ingerência na polÃtica interna.
O ministro cubano denunciou o recente endurecimento do embargo imposto à ilha, com a Casa Branca a ameaçar impor tarifas a qualquer paÃs que venda petróleo a Cuba.
“A isto acresce a inclusão arbitrária de Cuba na lista unilateral de Estados que supostamente patrocinam o terrorismo, as ameaças de agressão militar e o recente decreto executivo que procura impor um bloqueio total ao nosso fornecimento de combustÃvel, sob a premissa de que as dificuldades económicas e o consequente custo humano forçarão o nosso povo a renunciar à sua soberania e independência”, declarou Bruno RodrÃguez.
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