Mísseis iranianos atingem duas cidades no sul de Israel e fazem mais cem feridos

Jerusalé, 22 mar 2026 (Lusa) – Dois mísseis iranianos atingiram no sábado à noite duas cidades no sul de Israel, um dos quais perto de um centro estratégico de investigação nuclear, causando mais de uma centena de feridos e graves danos materiais.

Enquanto todas as televisões israelitas transmitiam imagens de destruição e de multidões de socorristas a vasculhar os escombros de edifícios com fachadas destruídas, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu reconheceu “uma noite muito difícil na batalha pelo futuro” do país.

“Estamos determinados a continuar a atacar os nossos inimigos em todas as frentes”, afirmou.

Uma primeira salva atingiu, no início da noite, a cidade estratégica de Dimona, conhecida por albergar, nomeadamente, o Centro de Investigação Nuclear do Negev Shimon Peres, uma instalação nuclear para fins de investigação que, segundo a imprensa estrangeira, esteve envolvida na produção de armas nucleares nas últimas décadas.

Um míssil atingiu a própria cidade, a cerca de cinco quilómetros do centro de investigação. Cerca de trinta pessoas ficaram feridas, segundo os serviços de emergência, tendo o exército referido um “impacto direto” ao comentar as imagens divulgadas nas redes sociais, que mostravam uma bola de fogo a cair no solo.

Imagens da AFP no local do impacto mostraram um quarteirão inteiro destruído. Em torno de uma grande cratera no solo, a terra está revirada e as fachadas dos edifícios circundantes foram em grande parte destruídas.

Pouco depois, uma nova salva atingiu a mesma região sul do país, com um míssil a cair sobre a cidade de Arad, a cerca de 25 quilómetros a nordeste.

Segundo os bombeiros da região sul, “tanto em Dimona como em Arad, foram acionados interceptores, mas estes não conseguiram atingir as ameaças, o que resultou em dois impactos diretos de mísseis balísticos equipados com ogivas contendo várias centenas de quilos de explosivos”.

Em Arad, pelo menos 88 pessoas ficaram feridas e foram evacuadas para hospitais, das quais dez gravemente, 19 moderadamente, 55 ligeiramente e quatro vítimas de pânico, de acordo com um balanço provisório dos serviços de emergência.

“Os socorristas e médicos do Magen David Adom (MDA) prestam cuidados e transportam 88 feridos para os hospitais a bordo de dezenas de ambulâncias e unidades móveis de cuidados intensivos do MDA”, indicou esta organização de socorro, o equivalente israelita da Cruz Vermelha.

Tal como em Dimona, e seguindo praticamente sempre o mesmo desenrolar desde o início das represálias iranianas à guerra lançada a 28 de fevereiro por Israel e pelos Estados Unidos contra a República Islâmica, os meios de comunicação divulgaram as imagens captadas aqui e ali por telemóveis ou câmaras de segurança: um rasto de fogo no céu negro a cair no solo com um estrondo enorme, à velocidade de um relâmpago. Moradores sentados à mesa em casa ou a ver televisão foram projetados para o chão e as janelas foram pulverizadas pelo impacto da explosão.

O diretor-geral da MDA referiu-se a “um acontecimento de enorme magnitude”. Riyad Abu Ajaj, outro responsável da MDA no local, citado pela mesma organização, descreveu “uma cena de caos”. “Estamos a tentar localizar outras vítimas” que possam estar soterradas sob os escombros.

Segundo o canal de televisão 12, o míssil que se abateu sobre Arad tinha uma carga explosiva de pelo menos 450 quilos.

Até ao momento, segundo os números oficiais, quinze pessoas foram mortas nos ataques com mísseis iranianos contra Israel e quatro mulheres palestinianas na Cisjordânia ocupada.

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