
Budapeste, 21 mar 2026 (Lusa) — O primeiro-ministro húngaro acusou hoje a União Europeia e a Ucrânia de tentarem influenciar as eleições marcadas para abril na Hungria, durante um encontro de ultraconservadores em Budapeste, no qual recebeu o apoio do Presidente dos Estados Unidos.
No seu discurso de abertura da Conferência de Ação PolÃtica Conservadora, Viktor Orbán denunciou o que considera ser a deterioração da democracia europeia, acusando Bruxelas de “trair” os tratados europeus.
“A democracia europeia está a morrer porque a sua economia não é bem sucedida, pela censura polÃtica e porque está a intervir abertamente nas eleições nacionais”, afirmou, concretizando: “é o que está a acontecer também na Hungria”.
Perante centenas de ativistas e polÃticos ultraconservadores, Orbán garantiu: “Exigem abertamente que na Hungria haja um governo pró-Bruxelas e pró Kiev. Não haverá.”
Antes do discurso do primeiro-ministro húngaro, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, saudou a conferência, iniciativa impulsionada por polÃticos republicanos norte-americanos.
Na mensagem de vÃdeo, Trump manifestou apoio a Orbán nas legislativas marcadas para 12 de abril, cujas sondagens têm apontado para uma vitória do conservador Péter Magyar, lÃder do Tisza, que poria fim a 16 anos de governo do Fidesz.
“Apoio Orbán nas próximas eleições. É uma pessoa fantástica, estou contente por poder apoiá-lo”, disse, elogiando as polÃticas anti-imigração do “lÃder forte” do governo húngaro, que tem mostrado “ao mundo inteiro” como se defendem “as fronteiras, a cultura, o património, a soberania e os valores”.
Orbán tem sido um dos principais aliados europeus de Trump, com quem partilha um declarado euroceticismo e o desdém pelas polÃticas progressistas e de abertura à s migrações.
Trump agradeceu aos participantes na conferência de Budapeste pelo compromisso “com o sentido comum e os valores conservadores”, rumo a “um Ocidente renovado”.
No seu discurso na Conferência de Ação PolÃtica Conservadora, a quinta realizada em Budapeste, Orbán elogiou Santiago Abascal, o lÃder do Vox, a extrema-direita espanhola.
“Abascal é o meu chefe. Não poderÃamos querer um melhor lÃder do que tu”, disse Orbán, quando apresentava os principais convidados entre os 667 participantes de 51 paÃses presentes na conferência.
Abascal preside atualmente aos Patriotas pela Europa, a famÃlia dos partidos de ultradireita e eurocéticos no Parlamento Europeu, de que Orbán foi um dos fundadores.
Está previsto que Abascal faça um discurso na conferência, bem como o Presidente argentino, Javier Milei, e Alice Weidel, a lÃder do AfD, o partido de extrema-direita alemão.
Orbán também elogiou Javier Milei, que transformou a Argentina num “bastião das forças de direita”.
É esperada a participação no evento do presidente do Chega, André Ventura, e de Eduardo Bolsonaro, filho do ex-Presidente brasileiro Jair Bolsonaro, a cumprir pena de prisão.
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