
Guimarães, Braga, 21 mar 2026 (Lusa) — O diretor do Centro Internacional das Artes José de Guimarães, Miguel Wandschneider, que hoje inaugura o primeiro ciclo de exposições do seu mandato, quer que a programação do museu tenha um “claríssimo horizonte internacional”.
Em entrevista à Lusa, dias antes da inauguração das exposições de Jorge Molder, Aidan Duffy e da renovada mostra de artes africanas da Coleção José de Guimarães, Wandschneider afirmou que da sua direção se poderá “esperar uma programação, em função de um orçamento que é limitado, com um cunho internacional”.
“E o que isso quer dizer? Quer dizer uma programação que esteja recheada de exposições individuais de artistas estrangeiros, a quem eu, enquanto diretor artístico do CIAJG, reconheço imenso valor. Não pelas carreiras que esses artistas têm, mas pelo trabalho que produziram e produzem. E, portanto, é fazer uma programação que tenha pertinência e, desejavelmente, relevância num contexto internacional”, afirmou o antigo diretor artístico da Culturgest, para quem “nunca se fez verdadeiramente justiça” à palavra “internacional” do nome do museu.
Não se fez porque, na opinião de Wandschneider, “o orçamento não permitia”, mas “o orçamento hoje não é maior do que foi no passado, até é mais reduzido”, pelo que “é preciso desenvolver estratégias para fazer crescer o orçamento e é preciso desenvolver estratégias pragmáticas para incorporar na programação, através de exposições individuais, artistas estrangeiros”.
Ciente desde o momento da candidatura de que teria um orçamento limitado, o curador considera que esta nova fase da carreira pode ser encarada como “uma aventura”: “E é uma aventura porque eu posso comprometer-me com objetivos, com trabalho, com determinação, mas não me posso comprometer com determinado tipo de resultados, para os quais não existem ainda os meios necessários”.
“Mas é importante ter essa ambição, ou ter esse horizonte. No fundo, do que se trata não é senão de fazer aproximar o campo do possível do campo dos desejos”, afirmou o diretor artístico daquele museu gerido pela cooperativa municipal A Oficina, realçando, porém, que a programação não será reduzida a artistas estrangeiros.
Aliás, o ciclo de exposições que é hoje inaugurado às 17:00 tem como principal destaque a primeira parte de uma retrospetiva do português Jorge Molder, que terá uma sequência em setembro, a par de uma mostra da polaca Dorota Jurczak.
Assim, a programação “vai acolher artistas portugueses, mas uma das coisas que vai mudar drasticamente é a escala das exposições”, que passarão a ser “mais encorpadas por regra, mais encorpadas do que foram no passado”, razão pela qual em 2026 o CIAJG vai acolher apenas “três artistas individuais, sendo que um deles se duplica, reaparece no segundo momento de programação”.
“A exposição do Jorge Molder é uma exposição que não se apresenta como atípica ou exótica, excêntrica, mas que é muito atípica. É a primeira retrospetiva sistemática do Jorge Molder. E é uma exposição que responde a uma impossibilidade. Não é possível ter uma retrospetiva do Jorge Molder com um sentido totalizante que englobe e atravesse 50 anos de prática, que é o que a prática artística do Jorge Molder já conta”, explicou Miguel Wandschneider, que balizou a exposição entre 1991 e 2003, incluindo, ainda assim, séries anteriores como “Waiters” e outras como “Inox”.
O CIAJG inaugura hoje, às 17:00, as exposições “Come Di”, de Jorge Molder, “Back Outside”, do escocês Aidan Duffy, e uma nova mostra de artes tradicionais africanas na Coleção de José de Guimarães, que repensa a apresentação das peças da coleção naquele museu.
As três exposições ficam patentes até 06 de setembro, tendo entrada gratuita aos domingos de manhã e sempre para crianças até 12 anos.
*** Tiago Dias, da agência Lusa ***
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