Starmer coloca vidas britânicas em perigo ao permitir EUA utilizar bases – MNE iraniano

Teerão, 20 mar 2026 (Lusa) – O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano advertiu hoje o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, de que está a colocar “vidas britânicas em perigo” ao permitir que os Estados Unidos utilizem as suas bases.

“A maioria do povo britânico não quer participar na guerra de Israel e dos Estados Unidos contra o Irão. Ignorando o seu povo, Starmer está a colocar vidas britânicas em perigo ao permitir que as bases britânicas sejam utilizadas para a agressão contra o Irão”, afirmou Abbas Araghchi, numa mensagem na rede social X.

“O Irão exercerá o seu direito à legítima defesa”, acrescentou.

As declarações da diplomacia iraniana surgem momentos depois de o Governo britânico ter confirmado hoje que os Estados Unidos estão a utilizar bases britânicas para conduzir “operações defensivas” destinadas a neutralizar os ataques contra navios perpetrados pelo Irão no estreito de Ormuz.

Num breve comunicado, um porta-voz de Downing Street (residência oficial e gabinete do primeiro-ministro britânico) confirmou que o acordo assinado entre o Reino Unido e os Estados Unidos para utilizar bases britânicas no âmbito do conflito no Médio Oriente “inclui operações defensivas americanas para neutralizar as instalações e as capacidades de mísseis utilizadas para atacar navios no estreito de Ormuz”.

Londres defende a iniciativa invocando a “autodefesa coletiva da região” e, segundo o jornal britânico The Times, as bases a que o comunicado se refere e que poderão ter recebido luz verde para utilização pelos Estados Unidos seriam as da Força Aérea Real (RAF) em Fairford (Inglaterra) e a da ilha de Diego Garcia, no arquipélago de Chagos, no Oceano Índico.

Segundo a mesma fonte, o Governo britânico condenou “a expansão dos alvos iranianos para incluir navios internacionais” e considerou que “os ataques irresponsáveis do Irão, incluindo a navios com a bandeira [britânica] Red Ensign e de aliados e parceiros do Golfo, aumentam o risco de uma crise regional e de agravamento dos impactos económicos a nível global”.

O Reino Unido recusou-se a participar ativamente na guerra, mas, além de permitir que os Estados Unidos utilizem as bases britânicas para levar a cabo ataques contra o Irão, também aumentou a sua presença e os seus efetivos militares no Mediterrâneo e no Médio Oriente, no âmbito das suas “operações defensivas”.

O anúncio surge após o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter acusado os aliados da NATO de serem cobardes por não se envolverem na defesa do estreito de Ormuz, em declarações escritas na sua rede social Truth Social.

Trump tem apelado aos países membros da aliança atlântica a juntarem-se ao conflito para defenderem e escoltarem os petroleiros que circulam na passagem por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial.

Desde que Estados Unidos e Israel lançaram a ofensiva conjunta contra o Irão em 28 de fevereiro, Teerão tem respondido com ataques contra alvos israelitas e norte-americanos nos países do Golfo, além de ter praticamente encerrado a importante passagem naval do estreito de Ormuz.

 

TAB (BM) // JH

Lusa/Fim