Ano Novo Lunar empurra Macau para inflação mais elevada em dois anos

Macau, China, 20 mar 2026 (Lusa) – A inflação anual em Macau atingiu em fevereiro o valor mais elevado em dois anos, devido ao Ano Novo Lunar, anunciou hoje a Direção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) da região chinesa.

De acordo com dados oficiais, o índice de preços no consumidor (IPC) subiu 1,16% em comparação com o mesmo mês do ano passado, o valor mais elevado desde fevereiro de 2024.

A inflação mais que duplicou em comparação com janeiro (0,54%), algo que a DSEC justificou com o período do Ano Novo Lunar ter ocorrido em fevereiro, ao contrário de 2025, que teve lugar em janeiro.

O Ano Novo Lunar, a maior migração anual do mundo, é um período alargado de feriados na China continental e um pico turístico em Macau, que este ano se verificou entre 15 e 23 de fevereiro.

A DSEC sublinhou que foram os produtos e serviços de lazer, recreação, desporto e cultura a registar o maior acréscimo em termos anuais (+7,76%), em virtude da subida dos preços dos quartos de hotel e das excursões (+26,6%).

A região semiautónoma chinesa terminou 2025 com uma inflação anual de 0,33%, o valor mais baixo dos últimos quatro anos.

Em junho de 2021, Macau viveu o último de 10 meses consecutivos de queda de preços – ou deflação – no pico da crise económica causada pela pandemia de covid-19.

A deflação reflete debilidade no consumo doméstico e no investimento e é particularmente gravoso, já que uma queda no preço dos ativos, por norma contraídos com recurso a crédito, gera um desequilíbrio entre o valor dos empréstimos e as garantias bancárias.

Os dados oficiais mostram que em fevereiro a inflação também se fez sentir nos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas (mais 0,92%). O custo das refeições adquiridas fora de casa subiu 1,23%.

Os gastos com rendas ou hipotecas de apartamentos subiram 0,63% e 0,48%, respetivamente. Em 11 de novembro, a Autoridade Monetária de Macau aprovou a terceira descida da taxa de juro este ano.

Em abril de 2024, a Assembleia Legislativa do território acabou com vários impostos sobre a aquisição de habitações, para “aumentar a liquidez” no mercado imobiliário, defendeu na altura o secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong.

Devido à subida do valor do ouro a nível mundial, a região semiautónoma chinesa registou um aumento de 40,7% no preço da joalharia, ourivesaria e relógios, produtos populares entre os turistas da China continental.

Com o preço do petróleo também a disparar nos mercados internacionais, o custo dos bilhetes de avião subiu quase um terço (32,7%).

Na China continental, de longe o maior parceiro comercial de Macau, o IPC aumentou 1,3% em fevereiro, a maior subida desde janeiro de 2023.

Na vizinha região de Hong Kong, a inflação também acelerou em fevereiro, para 1,7%, mais 0,6 pontos percentuais do que em janeiro.

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