
Lisboa, 19 mar 2026 (Lusa) — O cenário mais severo traçado pelo Banco Central Europeu (BCE) sobre os impactos da guerra no Médio Oriente projeta um um pico no preço do petróleo de 145 dólares por barril, enquanto no cenário base fica nos 90 dólares.
Nas previsões económicas divulgadas hoje, que já foram ajustadas aos efeitos da guerra, a inflação foi revista em alta para 2,6% em 2026, 2% em 2027 e 2,1% em 2028, enquanto o crescimento económico foi revisto em baixa, para uma média de 0,9% em 2026, 1,3% em 2027 e 1,4% em 2028.
Este é o cenário base, mas a equipa do BCE também projetou outros dois, o adverso e o severo, ainda que ressalvando que “não atribui probabilidades a esses cenários, que servem para destacar as principais incertezas relativas ao impacto do conflito”.
O cenário adverso incorpora efeitos indiretos e de segunda ordem mais fortes do que a projeção de referência, “com o objetivo de capturar possíveis não linearidades na propagação do choque inicial nos preços da energia para outros preços em toda a economia”, pelo que pressupõe um aumento muito mais acentuado nos preços da energia, bem como um aumento na incerteza e nos efeitos adversos internacionais.
Neste cenário adverso, prevê-se que os preços do petróleo e do gás natural atinjam o pico de 119 dólares por barril e 87 euros por Megawatt-hora (MWh), respetivamente, no segundo trimestre de 2026, antes de convergirem para as projeções de referência no terceiro trimestre de 2027.
“Em relação à projeção de referência, o cenário adverso implica que a inflação seria 0,9 pontos percentuais (p.p.) e 0,1 p.p. maior em 2026 e 2027, respectivamente, mas 0,5 p.p. menor em 2028 devido às pressões desinflacionárias decorrentes da rápida normalização dos preços da energia nesse ano”, lê-se nas projeções.
Por outro lado, o crescimento económico seria menor do que na projeção de referência em 2026 e 2027, mas maior em 2028.
Já o cenário severo considera a hipótese de se verificar um choque de preços da energia mais forte e persistente, maior incerteza e efeitos indiretos e de segunda ordem ainda mais acentuados, com a previsão de que os preços do petróleo atinjam um pico de 145 dólares por barril e os preços do gás de 106 euros por MWh no segundo trimestre de 2026, antes de recuarem a um ritmo muito mais lento e permanecerem significativamente acima das premissas dos cenários base e adverso durante o restante do horizonte de projeção.
Face ao cenário base, a inflação seria significativamente e persistentemente mais alta ao longo do horizonte de projeção (em 1,8 p.p. em 2026, 2,8 p.p. em 2027 e 0,7 p.p. em 2028), pelo que existe uma diferença significativa na inflação em 2028 entre o cenário adverso (1,6%) e o cenário severo (2,8%).
“A projeção destaca o papel fundamental da evolução do conflito, das interrupções no fornecimento de energia e da magnitude dos mecanismos de propagação desencadeados pelo choque na determinação do impacto sobre a inflação no médio prazo”, salientou o BCE.
Quanto ao crescimento económico, neste cenário severo, seria 0,4 a 0,5 p.p. menor em 2026-27 e, em seguida, subiria para 0,5 p.p. acima da projeção inicial em 2028, o que reflete o aumento presumido do rendimento e da procura resultante da resposta ascendente dos salários após o aumento da inflação nos anos anteriores.
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