
Londres, 19 mar 2026 (Lusa) – O Governo britânico anunciou hoje que vai centrar a ajuda externa ao desenvolvimento nos países em guerra ou em crise e nos programas de apoio às mulheres, reduzindo o financiamento a países como Moçambique.
“Para financiar as despesas adicionais com a defesa, tivemos de tomar a decisão extremamente difícil de reduzir o nosso orçamento para o desenvolvimento nos próximos anos”, afirmou no parlamento a ministra dos Negócios Estrangeiros, Yvette Cooper.
O Governo já tinha anunciado em fevereiro que iria reduzir a ajuda para 0,3% do Produto Nacional Bruto (PNB) até 2027, face aos atuais 0,7% atuais, para compensar o aumento do orçamento militar em resposta à tensão geopolítica global.
Hoje no parlamento, a ministra disse que 70% da ajuda externa será para ajudar países frágeis e afetados por guerras e conflitos que resultem em crises humanitárias, como a Ucrânia, Gaza, Sudão e, desde esta semana, o Líbano.
“Isso significa que o financiamento direto da ajuda bilateral para outros países será reduzido”, admitiu.
Países como o Iémen, Somália, Afeganistão, Paquistão e Moçambique “continuarão a ser prioridades”, mas as subvenções diretas serão reduzidas, sendo a ajuda britânica direcionada por programas multilaterais ou parcerias de investimento.
A ministra garantiu que pelo menos 90% dos programas bilaterais de ajuda ao desenvolvimento terão como foco as mulheres e as raparigas, integrando critérios de igualdade de género.
O financiamento bilateral aos países do G20 será gradualmente eliminado, exceto à Turquia, onde o Reino Unido vai continuar a financiar o apoio a refugiados.
“Iremos concentrar-nos em áreas que maximizem o impacto, transformem vidas e promovam a estabilidade, criando empregos e oportunidades económicas como caminho para sair da pobreza”, vincou a ministra.
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