
Londres, 19 mar 2026 (Lusa) – Os preços dos metais preciosos e industriais desceram hoje, pressionados pelos receios relacionados com as repercussões económicas da guerra no Médio Oriente, que corre o risco de impulsionar a inflação e travar o crescimento mundial.
“A queda dos metais explica-se pelo fortalecimento geral do dólar” — moeda em que são negociados —, e “mais particularmente, no caso dos metais industriais, pelo abrandamento das perspetivas de crescimento mundial”, resume a analista da Swissquote, Ipek Ozkardeskaya, entrevistada pela AFP.
O alumínio desceu mais de 8% na Bolsa de Metais de Londres (LME), a sua maior queda numa sessão desde 2018, segundo a Bloomberg, para 3.115 dólares por tonelada.
No entanto, na semana passada, era negociado ao seu preço mais elevado desde 2022, a 3.546,50 dólares por tonelada, com a guerra no Médio Oriente a bloquear parte das exportações do metal prateado provenientes do Golfo.
O cobre, o níquel e o zinco também registaram fortes quedas hoje, antes de recuperarem ligeiramente.
Os investidores temem também que a subida dos preços da energia atrase as descidas das taxas de juro pelos bancos centrais em todo o mundo, o que impulsionaria o dólar e as obrigações, ativos de refúgio concorrentes dos metais preciosos.
O ouro perdeu mais de 6%, caindo para 4.502,80 dólares. Por volta das 14:10 (hora de Lisboa) registava uma queda de 3,67%, para 4.641,30 dólares a onça.
A prata, metal precioso e industrial, caiu mais de 13%.
Vários bancos centrais já optaram por manter as suas taxas inalteradas esta semana e alertaram para os riscos de um aumento generalizado dos preços, incluindo a Reserva Federal dos EUA na quarta-feira, e o Banco Central Europeu e o Banco de Inglaterra hoje.
Por outro lado, “a queda dos metais preciosos está correlacionada com a queda generalizada das ações”, explicou à AFP o analista da ActivTrades Ricardo Evangelista, que afirma que “os investidores estão a liquidar as suas posições em ouro e prata” para cobrir as perdas noutros setores.
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