Presidente diz que missões continuam “em dia” enquanto tenta renovação de apoios a Moçambique

Redação, 18 mar 2026 (Lusa) – O Presidente moçambicano assumiu hoje que espera renovar as missões de apoiam Moçambique no combate ao terrorismo em Cabo Delgado, do Ruanda e de assistência da União Europeia (UE), sublinhando que ainda estão “em dia”.

“Queria deixar claro que nós, neste momento, estamos com as missões em dia. Ainda não chegamos em maio [fim do ciclo de financiamento à missão do Ruanda] e ainda não chegamos em junho [fim do mandato missão de assistência da UE]. Então, (…) o que eu posso-lhe dizer é que, neste momento, tanto uma missão como a outra continuam em Moçambique”, disse Daniel Chapo aos jornalistas.

Daniel Chapo encerrou hoje uma visita de quatro dias à Bélgica, onde reuniu, nomeadamente, na Comissão Europeia, na mesma altura em que o Ruanda admitiu retirar o contingente de mais de 2.000 militares que desde 2021 apoiam o combate ao terrorismo em Cabo Delgado se não tiver garantias de financiamento, tendo em conta que o último pacote de apoio da UE, novamente de 20 milhões de euros, atribuído em 2024 para logística e equipamento, termina em maio.

Questionado pelos jornalistas no final da visita, Chapo admitiu que também está a “ouvir essas vozes”, mas afirmou que o Governo não tem “nenhuma informação oficial do término destas missões”.

Além do Ruanda, em causa está a Missão de Assistência Militar da União Europeia em Moçambique, liderada por Portugal e financiada pela UE, de treino e apoio às Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), focado na capacitação das Forças de Reação Rápida (QRF) para combater a insegurança em Cabo Delgado, prorrogada antes até junho próximo.

“O conceito de missão é que começa e termina. Portanto, é um período normal e, não tendo terminado, nós continuamos a trabalhar, já que tanto uma missão como outra está em dia, e nós, neste momento, vamos cumprindo, portanto, o período, à espera que, no fim da missão, (..) haja definição de ambas as partes”, disse Chapo.

“Mas nós não temos nenhuma informação pela parte da UE de comunicação do fim. (…) E nós estamos a acompanhar para que realmente, tanto por parte da UE como por parte dos países, possamos encontrar formas e soluções de acompanhar o fim sem que haja consequências”, acrescentou.

A Comissão Europeia disse na terça-feira estar em “diálogo contínuo” com Moçambique para definir eventuais apoios em termos de “medidas de segurança” em Cabo Delgado, mas frisou que decisões sobre o destacamento ruandês devem ser feitas entre os dois países.

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Ruanda, Olivier Nduhungirehe, avisou no domingo que o destacamento ruandês vai sair do norte de Moçambique caso não haja garantias de “financiamento sustentável” à operação.

A posição surge quando se aproxima o fim do apoio financeiro UE à operação, em maio, ao fim dos 36 meses previstos e de desembolsos de 40 milhões de euros, e numa altura em que os Estados Unidos — que financiam o megaprojeto de Gás Natural Liquefeito (GNL) liderado pela francesa TotalEnergies em Cabo Delgado — aplicaram sanções às Forças de Defesa do Ruanda (RDF), devido ao conflito na República Democrática do Congo.

“Não investimos centenas de milhões de dólares e os nossos soldados das RDF não fizeram o sacrifício supremo para estabilizar esta região, permitir que os deslocados internos regressassem a casa, as crianças regressassem à escola, as empresas reabrissem e os mega investimentos em GNL fossem retomados, apenas para ver os nossos valentes soldados a serem constantemente questionados, vilipendiados, criticados, culpados ou sancionados pelos mesmos países que beneficiam enormemente da nossa intervenção em Moçambique”, avisou Nduhungirehe.

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