Guarda da Revolução confirma morte de Larijani em novo ataque contra a Telavive

Teerão, 18 mar 2026 (Lusa) – O Corpo da Guarda da Revolução Islâmica (IRGC) afirmou hoje ter lançado um ataque com mísseis contra Telavive, em retaliação pela morte de Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão e conselheiro do líder supremo.

A instituição assegurou num comunicado divulgado pelos meios de comunicação oficiais iranianos que a ofensiva faz parte da “onda 61” da operação “Promessa Cumprida 4” e que utilizou mísseis de vários tipos, nomeadamente “Khorramshahr 4”, “Qadr”, “Emad” e “Kheibar Shekan”, alguns deles com capacidade para ogivas múltiplas.

O Irão associou a operação à morte de Larijani e dos “seus companheiros”, sem fornecer detalhes adicionais sobre as circunstâncias do falecimento.

O IRGC afirmou que os projéteis atingiram “mais de 100 alvos militares e de segurança” e garantiu que os sistemas de defesa aérea israelitas foram ultrapassados durante o ataque. Além disso, indicou que partes de Telavive teriam sofrido cortes de energia elétrica e que a resposta dos serviços de emergência foi dificultada.

O serviço de emergências israelita Magen David Adom (MDA) informou que duas pessoas morreram em Ramat Gan, no distrito de Telavive, devido a um impacto num edifício causado pela salva de mísseis lançada pelo Irão.

Estas são as primeiras vítimas mortais dos ataques iranianos reportadas por Israel desde 09 de março, elevando o número oficial de mortos em território israelita na atual guerra contra o Irão para 14. Já o Irão estima oficialmente um número superior a 230 mortos e feridos.

Para além de Larijani, o IRGC confirmou esta terça-feira a morte do líder da milícia Basij, general Gholamreza Soleimani, que tinha sido anunciada anteriormente pelo exército israelita.

A força ideológica do Irão declarou no seu ‘site’ oficial, Sepah News, que o oficial de alta patente “foi martirizado num ataque terrorista perpetrado pelo inimigo americano-sionista”.

Israel começou por reivindicar a eliminação do comandante do grupo de voluntários da organização paramilitar, num ataque na segunda-feira à noite em Teerão, bem como a de Larijani, antigo presidente do Parlamento iraniano, cuja morte só agora foi confirmada por Teerão.

A Guarda Revolucionária atribuiu a morte de Soleimani a um “ataque terrorista” e elogiou o seu papel “estratégico e incomparável” dentro da milícia Basij, avisando que a organização não cessará a sua missão.

Ao longo do dia de terça-feira, as forças israelitas anunciaram que voltaram a atacar membros e posições da milícia Basij em dez locais de Teerão, numa ofensiva aérea que alvejou “a infraestrutura de comando” das unidades paramilitares iranianas, que, segundo os militares israelitas, tinham transferido as respetivas operações para novos quartéis-generais, entretanto atacados.

Israel responsabiliza a milícia Basij pelas principais operações de repressão na República Islâmica, nomeadamente contra os manifestantes que realizaram em janeiro passado amplos protestos contra o regime teocrático, e resultaram em dezenas de milhares de mortos e detidos.

Nos últimos ataques israelitas contra a capital iraniana também terá sido ferido, segundo relatos de várias figuras ligadas ao regime, o filho do anterior líder supremo, Mojtaba Khamenei, que não aparece em público desde a nomeação há mais de uma semana.

Na quinta-feira, o clérigo fez o primeiro discurso à nação, mas foi lido por uma apresentadora na televisão iraniana.

O exército israelita ameaçou esta terça-feira que vai “seguir, encontrar e neutralizar” o filho de Ali Khamenei, depois de ter anunciado a eliminação de vários dirigentes políticos e altas patentes militares iranianas nas últimas duas semanas.

O Departamento de Estado norte-americano divulgou uma recompensa de 10 milhões de dólares (8,7 milhões de euros) por informações que levem à localização de alguns dos principais líderes iranianos, em particular da Guarda da Revolução, numa lista que inclui o novo líder supremo.

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