
Porto, 17 mar 2026 (Lusa) – A presidente da União de Associações de Comércio e Serviços, Carla Salsinha, é uma das detidas pela Polícia Judiciária no âmbito da operação “Lúmen”, relacionada com corrupção com contratos de iluminação de Natal, revelou à Lusa fonte judicial.
Carla Salsinha foi em janeiro reeleita presidente da União de Associações do Comércio e Serviços (UACS) para o triénio 2026-2029. A UACS é a responsável pela contratação da iluminação de Natal da Câmara Municipal de Lisboa.
A Lusa tentou ouvir a responsável, mas não foi possível até ao momento. Fonte da UACS disse à Lusa que a presidente não vai prestar declarações.
A Polícia Judiciária (PJ) deteve hoje quatro pessoas suspeitas dos crimes de corrupção ativa e passiva, participação económica em negócio, abuso de poder e associação criminosa, relacionados com o fornecimento e a instalação de iluminações festivas.
Segundo fonte judicial, decorreram buscas em 10 municípios: Lisboa, Tavira, Lamego, Maia, Figueira da Foz, Viseu, Trofa, Póvoa de Varzim, Ovar e Santa Maria da Feira.
Em comunicado, a PJ referiu terem sido detidos “um administrador e um funcionário de uma empresa privada, uma presidente de associação privada e um funcionário público”.
A Câmara Municipal de Lisboa confirmou ter sido alvo de buscas relacionadas com a operação “Lúmen”.
Fonte camarária indicou que o município está a colaborar com as autoridades e disse desconhecer se o funcionário público que integra o grupo de detidos é ou não do quadro da autarquia, mas fonte judicial indicou à Lusa tratar-se de um funcionário da capital.
Em dezembro, a Câmara Municipal de Lisboa indicou que o investimento nas iluminações de Natal foi de 749.500 euros, o mesmo valor que foi disponibilizado em 2023 e 2024, no âmbito de um protocolo entre o município e a UACS, ou seja, a autarquia não contrata diretamente qualquer empresa, o que é da responsabilidade da associação.
As autarquias da Maia, Viseu, Trofa, Tavira, Póvoa de Varzim e Santa Maria da Feira já confirmaram igualmente à Lusa terem sido hoje alvo de buscas.
Também a empresa Castros Iluminações Festivas, em Vila Nova de Gaia, foi hoje alvo de buscas no âmbito da operação “Lúmen”, indicou fonte judicial.
Contactada pela Lusa, a empresa de iluminações escusou-se a prestar declarações.
Os detidos vão ser presentes na quarta-feira ao Tribunal de Instrução Criminal do Porto, para primeiro interrogatório judicial e aplicação das medidas de coação.
Na operação “Lúmen”, foram efetuadas 26 buscas domiciliárias e não domiciliárias, em várias zonas do país, em entidades e empresas públicas e privadas.
De acordo com a PJ, a investigação teve origem numa denúncia ligada com a “pretensa viciação de procedimentos de contratação pública relacionados com o fornecimento e instalação de iluminações festivas, utilizadas nas épocas de Natal e na celebração de diversas festividades”.
As diligências realizadas pela autoridade revelaram a existência de “um esquema criminoso, de caráter organizado e sistémico, tendente à viciação de procedimentos de contratação pública”.
“Mediante a obtenção ilegal de informação privilegiada a troco de contrapartidas de cariz financeiro atribuídas a elementos de entidades adjudicantes, em subversão das regras da transparência, igualdade e concorrência do mercado, eram garantidas adjudicações à empresa visada em valores que ascendem a oito milhões de euros”, refere a nota.
Na operação participaram um magistrado judicial, um magistrado do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) Regional do Porto, 120 investigadores criminais e ainda peritos informáticos, peritos financeiros e seguranças de diversas unidades da PJ.
O inquérito é titulado pelo DIAP Regional do Porto.
JGS/LIL/RCP (PFT/AMF/PM/JDN/DD) // ROC
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