ONU alerta para 36 mil deslocados palestinianos na Cisjordânia

Genebra, 17 mar 2026 (Lusa) — O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) alertou hoje para o deslocamento forçado de mais de 36 mil palestinianos na Cisjordânia num só ano, mostrando preocupações com a eventual “limpeza étnica” em causa.

Segundo relatório do organismo, “o deslocamento de mais de 36 mil palestinianos na Cisjordânia ocupada constitui uma expulsão em massa em uma escala sem precedentes”, lê-se no texto, que apela ao fim da expansão dos colonatos israelitas naquele território.

O documento reporta-se somente ao período entre novembro de 2024 e outubro de 2025 e destaca que “os deslocamentos na Cisjordânia ocupada, que coincidem com o deslocamento em massa de palestinianos para Gaza (…), parecem indicar uma política concertada israelita de transferências forçadas em massa” em todos os territórios ocupados, “levantando preocupações sobre limpeza étnica”.

Em 19 de fevereiro, o ACNUDH já tinha criticado aquilo que considerava poder constituir-se como “limpeza étnica” nos territórios palestinos ocupados, apontando para uma série de ações israelitas, incluindo “a intensificação de ataques, a destruição sistemática de bairros inteiros, a recusa em fornecer ajuda humanitária e transferências forçadas”.

Mais de 500 mil israelitas vivem na Cisjordânia — excluindo Jerusalém Oriental — entre cerca de três milhões de palestinianos, em colonatos que as Nações Unidas consideram ilegais à luz do direito internacional.

A violência neste território palestiniano, ocupado por Israel desde 1967, intensificou-se desde o ataque do movimento islamista radical Hamas contra Israel em 07 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra na Faixa de Gaza, e continuou apesar do cessar-fogo que entrou em vigor em 10 de outubro.

No relatório, os responsáveis das Nações Unidas relatam 1.732 incidentes de violência de colonos que resultaram em vítimas ou danos materiais, em comparação com 1.400 no período anterior (novembro de 2023 até outubro de 2024).

Israel e o Hamas assinaram a primeira fase do acordo de cessar-fogo por proposta de Washington em outubro de 2025, que incluía a suspensão da ofensiva israelita, a troca de reféns por prisioneiros palestinianos e a entrada de ajuda humanitária.

A segunda fase, que ainda não teve acordo, prevê a retirada total das tropas israelitas, o desarmamento das milícias palestinianas, a reconstrução do território e o estabelecimento de um governo de transição, bem como de uma força internacional de paz.

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