
Luanda, 16 mar 2026 (Lusa) — O diretor-geral do Instituto Nacional do Café de Angola (INCA) disse hoje que há ainda trabalho a fazer para produzir e exportar café de qualidade, abandonando práticas negativas, como a colheita do café ainda verde.
Vasco Gonçalves disse que Angola está a produzir café, mas é preciso garantir qualidade, enfatizando que estão em ação várias medidas para colocar este produto nos mercados internacionais com a qualidade que se requer.
“Nisto nós temos muito trabalho a fazer”, disse Vasco Gonçalves à imprensa, à margem de um ‘workshop’ sobre o “Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desflorestação e o Setor Cafeeiro Angolano”, que hoje se realizou em Luanda.
Segundo o diretor-geral do INCA, o café angolano “ainda não está a ser exportado com a maior qualidade possÃvel”.
“Num universo de sete nÃveis de categorias, estamos na segunda, ainda temos quatro nÃveis a percorrer, mas isso é um trabalho que temos de fazer”, frisou.
Gonçalves disse que este esforço de melhoria tem estado a ser feito com os operadores, exportadores, comerciantes, “no sentido de se deixar aquelas práticas de estender o café no chão, colher o café verde, ensacar o café com produtos que possam contaminá-lo”, entre outras situações.
De acordo com Vasco Gonçalves, o paÃs produziu em 2024 cerca de 10.500 toneladas de café comercial, o que representa que “está muito longe ainda das capacidades e das condições climáticas do paÃs”.
No perÃodo colonial, acrescentou o diretor-geral do INCA, o paÃs tinha cerca de 600 mil hectares de plantação de café e, nesta altura, regista apenas 55 mil hectares, “muito longe” do que se produzia naquela época.
“Temos uma margem de progressão muito grande, mesmo incidindo apenas nas áreas antigas do café”, sem necessidade de desmatação, sustentou Vasco Gonçalves.
Angola produz café arábica nas provÃncias de Benguela, HuÃla, Bié, Huambo e uma parte de Malanje e do Cuanza Sul, enquanto o café robusta é cultivado nas regiões do UÃje, Cuanza Sul, Cuanza Norte, Bengo e uma parte de Malanje, havendo já expansão da produção para zonas do leste do paÃs.
Em 2024, Angola exportou 3.288 toneladas de café comercial, essencialmente para Portugal, e também para a Polónia e a Itália, arrecadando com a comercialização 12 milhões de dólares (10,2 milhões de euros).
Relativamente ao Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desflorestação, Vasco Gonçalves frisou que a responsabilidade de cumprimento desta norma é dos importadores, cabendo ao paÃs garantir uma produção com boas práticas agrÃcolas.
Por sua vez, o secretário de Estado para as Florestas angolano, João da Cunha, disse, na abertura do ‘workshop’, que o paÃs se tem preparado e recentemente aprovou alguns instrumentos jurÃdicos, como o Regulamento das Boas Práticas AgrÃcolas, para ajudar Angola a produzir conforme as exigências dos consumidores internacionais.
O governante angolano salientou que o paÃs se encontra num processo de recuperação da produção, o que inclui o aumento da área plantada, recorrendo a áreas históricas de cultivo, e “o processo de regularização da sombra não deve ser considerado como desflorestação”.
O Regulamento da União Europeia proÃbe a colocação no mercado europeu de produtos originais de áreas desflorestadas, a partir de 2020.
“Na verdade, para o caso especÃfico de Angola, o café atua como preservador da biodiversidade da floresta, crescendo num modelo agroflorestal, que pretendemos promover”, vincou João da Cunha.
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