Transferências em Moçambique passam a ser feitas em segundos e sem custos – governador

Maputo, 16 mar 2026 (Lusa) – O novo Sistema de Pagamentos Instantâneos moçambicano, denominado Metix e lançado hoje, vai acabar com as taxas cobradas pelos bancos nas transferências entre particulares, que passam a ser feitas em segundos, anunciou o governador do banco central.

“Apesar dos notáveis progressos registados, persistiam ainda alguns desafios no nosso Sistema Nacional de Pagamentos, particularmente no que respeita à eficiência das transações interbancárias de retalho, nomeadamente em termos de celeridade, comodidade e custos”, disse Rogério Zandamela, em Maputo, no lançamento da plataforma, após dois anos de desenvolvimento.

Com o Metix “os fundos serão disponibilizados de forma imediata, ou seja, em poucos segundos”, as transferências entre bancos, realizadas por particulares, através desta plataforma, “serão isentas de custos”, o qual estará “disponível 24 horas por dia, sete dias por semana e 365 dias por ano”.

“Por último: trata-se de um sistema cómodo e de fácil acesso, que poderá ser utilizado através do website, aplicações móveis ou por via de canais USSD dos bancos. O canal USSD garante o acesso ao sistema através de qualquer tipo de telemóvel, sem necessidade de ligação à internet ou de dados móveis, permitindo assim a sua utilização por qualquer cidadão”, acrescentou.

“É nossa convicção de que, com a introdução do Sistema de Pagamentos Instantâneos, estão criadas as condições para que os cidadãos possam realizar as suas transações interbancárias de forma mais simples, rápida, económica e cómoda, num ambiente cada vez mais seguro, inclusivo e moderno”, acrescentou o governador do Banco de Moçambique.

Zandamela explicou que o banco central decidiu atribuir ao sistema “um nome que fosse fácil de pronunciar, sugestivo e que refletisse as principais características” do mecanismo, tendo sido escolhido o nome Metix “que remete ao metical [moeda moçambicana] e reflete rapidez e comodidade na realização de transações, suportadas pelo avanço tecnológico”.

A nova ferramenta insere-se “no amplo projeto de modernização do Sistema Nacional de Pagamentos, que tem vindo a privilegiar a digitalização, a eficiência e a segurança das transações financeiras em Moçambique” desde 2023, como, entre outras, a “interoperabilidade” completa entre as IME e entre estas e os bancos, “promovendo maior integração no sistema financeiro”.

“Reconhecemos igualmente que este avanço tecnológico exige, de todos nós, um compromisso permanente com a literacia digital e financeira. Por isso, o Banco de Moçambique reitera o seu compromisso com a promoção da educação financeira e apela a todas as instituições financeiras para o reforço contínuo de iniciativas nesta área, garantindo que todos os moçambicanos possam utilizar estas ferramentas com confiança, responsabilidade e segurança”, disse.

O sistema será “operado e gerido” pela Sociedade Interbancária de Moçambique (SIMO) e prevê que as instituições financeiras podem limitar os montantes máximos diários para transferências imediatas a 200 mil meticais (2.670 euros) para pessoas singulares e 500 mil meticais (6.680 euros) para pessoas coletivas.

Em Moçambique funcionam 15 bancos comerciais e 12 microbancos, além de cooperativas de crédito e organizações de poupança e crédito, entre outras.

Devem integrar o sistema de pagamentos as instituições de crédito, empresas prestadoras de serviços de pagamentos e “outras entidades que o Banco de Moçambique autorizar”, sendo, contudo, “obrigatória” a participação das carteiras digitais.

Moçambique contava em novembro com mais de 24,6 milhões de contas de carteiras móveis digitais, contra 6,6 milhões de contas nos bancos tradicionais, segundo dados do banco central.

O país tem três IME, nomeadamente M-Pesa, e-Mola e M-Kesh, das três operadoras de telecomunicações móveis, que prestam serviços financeiros via telemóvel, incluindo transferências de dinheiro entre clientes ou pagamento de serviços.

PVJ // VM

Lusa/Fim