Câmara baixa do parlamento do Japão aprova novo orçamento recorde para defesa

Tóquio, 14 mar 2026 (Lusa) — A câmara baixa do parlamento do Japão, a mais poderosa das duas câmaras, aprovou o orçamento do país para 2026, que inclui verbas recorde para a defesa e despesas sociais, apesar de receios fiscais.

Numa sessão que se estendeu até depois das 21:00 de sexta-feira (12:00 em Lisboa), o Partido Liberal Democrático (PLD) da primeira-ministra conservadora Sanae Takaichi e o parceiro de coligação, o Partido da Inovação do Japão (Ishin), utilizaram a maioria parlamentar para aprovar o orçamento, apesar das críticas da oposição sobre a falta de tempo para debater a proposta.

Antes da votação, vários partidos da oposição tentaram, sem sucesso, destituir o presidente da comissão orçamental, controlada pelo PLD, em protesto contra a rapidez com que o órgão concluiu as deliberações pré-votação, em apenas 59 horas.

De acordo com a agência de notícias japonesa Kyodo, este é o período de deliberação orçamental mais curto em décadas.

O orçamento, que tem um valor recorde de 122,3 biliões de ienes (670 mil milhões de euros), inclui mais de nove biliões de ienes (49 mil milhões de euros) para despesas de defesa, na sequência do compromisso de Takaichi com o Presidente dos EUA, Donald Trump, de reforçar as capacidades militares do Japão.

A proposta deverá ser, na próxima semana, votada na câmara alta, onde a coligação governamental detém uma minoria.

No entanto, como o PLD e o Ishin detêm mais de dois terços dos lugares na câmara baixa, podem aprovar o orçamento mesmo que este seja rejeitado na câmara alta, de acordo com a Kyodo.

Takaichi insistiu que deseja aprovar o orçamento antes do final de março, que marca o fim do ano fiscal japonês, para evitar atrasos na atribuição de fundos públicos.

A primeira-ministra defende o aumento das despesas públicas para impulsionar a economia estagnada do Japão.

Takaichi já tinha garantido a aprovação, no final de 2025, de um orçamento suplementar de 18,3 biliões de ienes (mais de 100 mil milhões de euros) para o resto do ano fiscal de 2025 (que termina a 31 de março), o montante mais elevado desde o início da pandemia de covid-19.

A medida foi fundamental para financiar um ambicioso plano de estímulo destinado a aliviar os efeitos da inflação persistente, mas também deixou os investidores apreensivos quanto à dependência do Japão na emissão de dívida e contribuiu para elevar os rendimentos dos títulos japoneses a níveis que não se viam desde a década de 1990.

 

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