Moçambique recebeu 58,1 ME em doações para vítimas de cheias

Maputo, 11 mar 2026 (Lusa) – Moçambique recebeu 4,3 mil milhões de meticais (58,1 milhões de euros) em doações e apoio monetário para vítimas das cheias e inundações, que já afetaram mais de 870 mil pessoas, anunciou hoje o Governo.

“Em todos os níveis, foram canalizadas doações em forma de alimentos, vestuário, material de abrigo, e valores monetários, estimado em 4,3 mil milhões de meticais, dos quais cerca de 1,3 mil milhões em valor monetário”, disse o ministro da Administração Estatal e Função Pública, Inocêncio Impissa, no novo balanço dos bens recebidos, ao responder, no parlamento, a perguntas dos deputados.

Pelo menos 270 pessoas morreram na atual época chuvosa em Moçambique, desde outubro, que afetou mais de 870 mil pessoas, 725 mil das quais só nas cheias de janeiro, em que morreram cerca de 40 pessoas, sobretudo no sul.

Perante os deputados, Impissa explicou que a ajuda monetária recebida está a ser usada para reforçar a aquisição de bens alimentares e não alimentares para assistência às populações afetadas pelas inundações.

Em 03 de março, o Governo moçambicano já tinha adiantado ter recebido 1,3 mil milhões de meticais (17,5 milhões de euros) e 6,7 mil toneladas de produtos diversos para apoiar vítimas das inundações.

Em relação às medidas de recuperação das infraestruturas afetadas pelas cheias, o Governo disse estar na fase conclusiva do esboço do Plano Global de Reconstrução Pós-Cheias 2026 em Moçambique, que visa, entre outras, assegurar uma reconstrução resiliente e sustentável, bem como garantir o relançamento da economia local.

À luz do mesmo plano, o Governo espera realizar intervenções imediatas de assistência humanitária, restabelecer os serviços sociais, incluindo acesso a saúde, educação, água, saneamento e energia, além de normalizar o funcionamento do Estado e da economia local em zonas afetadas.

“É com base neste plano, dedicado à reconstrução pós-cheias, que o Governo de Moçambique vai reabilitar 38 estabelecimentos de ensino, entre escolas primárias completas e técnicos gerais, reabilitar 1.369 salas de aulas, reabilitar 136 unidades sanitárias, repor o funcionamento dos sistemas de abastecimento de água em Chókwè, Ressano Garcia, Boane, Xai-xai, Bilene-Macia, Massingir e Morrumbene, bem assim repor 686 fontes de abastecimento de água”, disse o ministro.

O Governo vai reabilitar igualmente 5.697 quilómetros (km) de estrada, bem como 684 km de linha férrea, 16 pontes, repor 98 aquedutos e 16 km de linha de transmissão de energia, além de substituir 92 postos, instalar 25 km de linha de média tensão e repor 410 postos de transformação. 

“[Vamos] repor 250 km de linha de media tensão e 206 km de linha de baixa tensão, reabilitar e repor o normal funcionamento de cinco barragens (Pequenos Libombos, Massingir, Macarretane, Corumana e Nampula)”, disse Inocêncio Impissa, acrescentado que serão ainda repostas 125 redes de monitoria de recursos hídricos.

Em 27 de janeiro, o Governo moçambicano avaliou em 644 milhões de dólares (537,6 milhões de euros) as infraestruturas destruídas e afetadas pelas inundações, após apresentar o referido plano de reconstrução resiliente.

SYCO (PME) // MLL

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