Cheias provocaram 31,1 ME de prejuízos em 64 estâncias hoteleiras em Moçambique

Maputo, 11 mar 2026 (Lusa) – As cheias e inundações em Moçambique afetaram pelo menos 64 estabelecimentos hoteleiros na província de Gaza, sul do país, com prejuízos estimados em 2.309 milhões de meticais (31,1 milhões de euros), avançou hoje o Governo.

Ao responder, no parlamento, a perguntas dos deputados, o ministro da Administração Estatal e Função Pública, Inocêncio Impissa, disse que as cheias e inundações afetaram infraestruturas económicas, identificando que foram “danificados” 64 estabelecimentos hoteleiros.

“Todos localizados na província de Gaza, concretamente na cidade de Xai-Xai e nos distritos de Chókwè e Guijá. Estes danos representam cerca de 2.309 milhões de meticais”, disse.

Os dados apresentados pelo governante apontam ainda que os distritos de Sussundenga, na província de Manica, centro do país, e Chókwè e cidade de Xai-xai, em Gaza, tiveram um total de 1.300 estabelecimentos comerciais afetados, representando danos de cerca de 345 milhões de meticais (4,6 milhões de euros).

Segundo Impissa, as inundações danificaram também infraestruturas industriais no distrito de Búzi, província de Sofala, na cidade de Xai-Xai e nos distritos de Chókwè e Guijá, em Gaza, totalizando 130 infraestruturas, representando perdas de cerca de 57 milhões de meticais (769.829 euros).

“Ficaram afetados igualmente cerca de 50 quilómetros de rede de distribuição de água nas províncias de Manica, Sofala, Inhambane, Gaza e Maputo, além da danificação total e parcial de bombas de captação, assoreamento da fonte de captação de água, elevação do nível de turvação da água bruta, afetando cerca de 900 mil pessoas”, disse o ministro.

Pelo menos 270 pessoas morreram na atual época chuvosa em Moçambique, desde outubro, que afetaram mais de 870 mil pessoas, 725 mil das quais só nas cheias de janeiro, em que morreram cerca de 40 pessoas, sobretudo no sul.

Perante os deputados, o governante sublinhou que as mudanças climáticas são uma realidade e estão a ser cada mais intensas e com magnitude elevada, sendo necessárias soluções adequadas para fazer frente aos fenómenos que começam a ocorrer em zonas que outrora eram consideradas seguras.

“A resposta eficaz aos riscos climáticos exige-nos não somente ações emergenciais mas, sobretudo, políticas de médio e longo prazos que promovam resiliência, desenvolvimento sustentável e redução da vulnerabilidade das comunidades”, disse.

Identificou ainda que 351 forças, entre nacionais e estrangeiros, incluindo nadadores salvadores voluntários, estiveram no terreno desde o início da época chuvosa no apoio, e que foram mobilizados para salvamento 68 embarcações, quatro aeronaves, dez helicópteros, 14 drones e 25 antenas de satélites para dados, monitoria e resgate.

Os dados do INGD indicam que 399.749 hectares de áreas agrícolas foram perdidos e 530.998 animais morreram, entre bovinos, caprinos e aves. Para fazer face às doenças contra animais, já foram entregues 169.100 doses de vacinas para o controlo de tuberculose e dermatose nodular em bovinos e 155.000 doses para o controlo da raiva.

As chuvas em Moçambique afetaram pelo menos 302 unidades de saúde, com o Governo a indicar que necessita de quase 500 milhões de meticais (6,7 milhões de euros) para reparar pelo menos 180 unidades sanitárias danificadas.

Para travar os impactos das cheias em Gaza, o Governo está a mobilizar 1,2 mil milhões de dólares para a construção e exploração da Barragem de Mapai, com capacidade para 7,2 mil milhões de metros cúbicos de armazenamento, numa parceria público-privada.

“A barragem poderá contribuir massivamente no controlo do caudal do rio Limpopo, reduzindo o impacto das cheias, garantindo a expansão da agricultura irrigada, promovendo a segurança hídrica das comunidades bem assim, o desenvolvimento local e regional”, disse Impissa.

PME // VM

Lusa/Fim