Dívida pública abaixo de 90% do PIB dá efeito psicológico aos mercados – presidente do CFP

Lisboa, 11 mar 2026 (Lusa) — A presidente do Conselho das Finanças Públicas (CFP), Nazaré Costa Cabral, defendeu hoje que a dívida pública abaixo de 90% do Produto Interno Bruto (PIB) tem “um efeito psicológico” junto dos mercados e melhora a credibilidade do país.

“Essa redução do rácio da dívida pública tem, desde logo, a partir do momento em que conseguimos baixar a fasquia dos 90%, um efeito psicológico, até, e tem um efeito para os mercados”, disse Nazaré Costa Cabral num painel na conferência Banking on Change, em Lisboa.

No final do último trimestre de 2025, a dívida pública representava 89,6% do PIB, de acordo com dados do Banco de Portugal (BdP), o valor mais baixo desde 2009.

Na conferência, a presidente do CFP considerou que esta redução é “um sinal importante que se dá para os mercados”.

“Basta ver aquilo que são as notações da nossa dívida pública, a forma como têm melhorado”, apontou.

Nesse sentido, enalteceu que a melhoria dessas notações favorece a confiança dos investidores e dos financiadores.

“Há melhores condições de financiamento. Não apenas do setor público, mas também do setor privado porque, na verdade, o prémio de risco implícito acaba por favorecer também o setor privado”, acrescentou.

Nazaré Costa Cabral sublinhou que as grandes exigências para o crescimento económico do país são as exigências de investimento.

“É evidente que para isso precisamos de contar com boas condições de financiamento, e os progressos que foram feitos abrem aqui uma janela de oportunidade em termos de investimento — quer público, quer privado”, disse.

Ainda assim, enfatizou que tem de ser investimento “bem feito”, dada a limitada margem orçamental.

“Tem de ser um investimento bem feito, bem pensado, não é qualquer investimento público. Temos de ser muito exigentes — até porque a margem orçamental é estreita — para termos um investimento público bem desenhado, bem pensado, para que os contribuintes saibam exatamente que estão a financiar despesa que vai ser útil para o futuro”, apontou.

JO // CSJ

Lusa/Fim