
Maputo, 10 mar 2026 (Lusa) – O secretário de Estado do Tesouro e Orçamento garantiu hoje que Moçambique tem 75 mil toneladas de combustÃveis, suficientes para até princÃpios de maio, após o Irão encerrar o estreito de Ormuz devido ao conflito no Médio Oriente.Â
“Neste momento os ‘stocks’ de combustÃveis existentes permitem assegurar o funcionamento da economia até princÃpios de maio. No entanto, estão sendo desencadeadas ações no sentido de assegurar que, na eventualidade de registar-se uma perturbação total no fluxo de produtos petrolÃferos pelo estreito de Ormuz, acionar-se a entrega de encomendas por rotas alternativas”, disse o secretário de Estado do Tesouro e Orçamento, AmÃlcar Tivane.
O responsável falava em Maputo, no final do Conselho de Ministros, em que apontou que, face ao conflito no Médio Oriente, após ataques conjuntos dos Estados Unidos e Israel contra o Irão, o Governo estuda mecanismos para, em caso de agravamento, buscar alternativas para obter combustÃveis.
Cerca de 80% das importações de combustÃveis de Moçambique transitam pelo estreito de Ormuz, vindos do Médio Oriente, disse o governante, adiantando que o paÃs tem neste momento 75 mil toneladas de combustÃveis, suficientes para suprir as necessidades de consumo internas.
“As encomendas são feitas com alguma antecedência envolvendo associações importadoras de combustÃveis, mas também distribuidores e neste momento o mercado tem um pouco mais de 75 mil toneladas de combustÃveis”, disse.
“Os preços a que estão a ser transacionados estes produtos, a gasolina por exemplo ao preço de 85 meticais (1,14 euros) por litro e o gasóleo cerca de 80 meticais (1 euro) prevalecerão um pouco mais até o fim do mês de abril, na medida que os ‘stocks’ foram importados com os preços em vigor antes do inÃcio do conflito”, acrescentou.
Moçambique tem também nos terminais oceânicos cerca de 85 mil toneladas de combustÃveis, que podem ser desembaraçados em caso de necessidade.
No Plano Económico Social e Orçamento do Estado (PESOE) para 2026 o Governo tinha previsto um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) na ordem de 2,8%, com uma inflação na ordem de 4,8%, mas que agora vão ser condicionados pelo desenvolvimento do conflito no Médio Oriente.
“Os impactos para o crescimento económico vão depender da intensidade e duração do conflito. O Conselho de Ministros notou que, num cenário moderado, a economia moçambicana, se os preços continuarem a subir significativamente, por exemplo, ultrapassando a fasquia dos 120 dólares por barril, eventualmente poderá ter impactos visÃveis na estrutura de custos das pequenas e médias empresas”, disse Tivane.
Para o Governo moçambicano, se o conflito prevalecer, as perspetivas de recuperação da economia poderão ser afetadas, com o ritmo a ser “mais lento”, prevendo que, num cenário extremo em que o preço do barril de petróleo ultrapasse 140 dólares, a economia do paÃs poderá registar um crescimento negativo.
O Governo estuda acionar o fundo de estabilização para fazer face aos impactos desta guerra a nÃvel social e nas empresas, com o executivo a prometer monitorar a situação para mitigar um provável choque para a economia nacional.
Em 03 de março, o Governo moçambicano afirmou não ter registo de nacionais mortos ou feridos no conflito no Médio Oriente, apontando para quase 700 nacionais na região.
Os Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, tendo matado durante a ofensiva o ‘ayatollah’ Ali Khamenei, lÃder supremo do paÃs desde 1989.
O Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em paÃses da região.
O estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, é atravessado por cerca de 20% do petróleo e por uma parte significativa do gás natural liquefeito comercializados por via marÃtima, segundo dados da Administração de Informação Energética dos Estados Unidos e das Nações Unidas.
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