
Maputo, 06 mar 2026 (Lusa) — Os empresários moçambicanos querem apostar na experiência do setor privado da Tailândia para aumentar a produção de arroz, visando abastecer o mercado local e da África austral, foi hoje anunciado, após reunião entre delegações dos dois países.
“A experiência e a tecnologia da Tailândia neste setor são mundialmente reconhecidos. (…) Imaginem o impacto se esta experiência fosse aplicada aqui em Moçambique. Produzindo em Moçambique, processando aqui em Moçambique, localmente e abastecendo não apenas o nosso mercado, mas toda a região da África austral”, avançou Amâncio Gume, vice-presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), após uma reunião com empresários do setor privado tailandês, em visita a Maputo.
Segundo o representante, uma eventual parceria entre os dois países permitiria a Moçambique aumentar a produção de arroz para consumo próprio e exportação.
Moçambique tem 36 milhões de hectares de terras aráveis, vastos recursos hídricos e condições climáticas que permitem múltiplas colheitas ao longo do ano, segundo o dirigente da CTA, lamentando que “apenas uma pequena parte desta terra está plenamente explorada”.
O representante da delegação do setor privado da Tailândia, Phong Mekthipphachai, manifestou abertura para apoiar Moçambique com conhecimento e tecnologia para desenvolver o setor agrário.
“Sabemos que vocês têm muita terra para a produção agrícola que podem fazer com mais eficiência para desenvolvê-la. Você também tem o mercado aqui, não só em Moçambique, você pode produzir os seus produtos para exportar para a Europa. Isso é tudo que podemos fazer, a colaboração e trazer para vocês a tecnologia da nossa Tailândia”, assegurou Mekthipphachai.
Para Amâncio Gume, está garantido o mercado interno para novos investimentos para os empresários que apostam na produção local, irrigação, mecanização e processamento industrial do arroz, também nos setores de turismo, energias renováveis, floricultura e pesca e aquacultura, que estão no foco do investimento tailandês.
“Esta oportunidade não é apenas com o arroz. Moçambique tem um enorme potencial em agroprocessamento, especialmente no processamento de frutas tropicais e as máquinas que esta missão traz representam exatamente o tipo de tecnologia que precisamos para reduzir perdas agrícolas e criar valor local”, descreveu Gume, pedindo parcerias com investimentos de longo prazo.
A CTA manifestou também interesse em facilitar a identificação de oportunidades e ajudar a transformar ideias em projetos concretos entre as duas delegações, visando transformar o potencial em prosperidade.
“Imagino numa situação em que o mundo está em guerra e Moçambique consegue, por exemplo, adquirir essa tecnologia da Tailândia e comece a fazer uma produção de arroz a nível local. Portanto, é uma mais-valia para nós, porque precisamos muito de alimentar o nosso povo”, disse.
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