
Lisboa, 06 mar 2026 (Lusa) – A Fitch avalia hoje a dÃvida soberana de Portugal e, após uma subida no ano passado, analistas ouvidos pela Lusa consideram mais provável uma manutenção do ‘rating’ em ‘A’, enquanto a perspetiva pode melhorar.
Em setembro de 2025, a Fitch elevou o ‘rating’ de Portugal para ‘A’ com perspetiva estável, o que “refletiu, sobretudo, a consolidação orçamental e a redução consistente do rácio da dÃvida pública”, salientou João Cruz, analista de mercados da XTB, à Lusa.
“Desde então, o enquadramento macroeconómico tem evoluÃdo de forma coerente com essa avaliação”, apontou o analista, destacando que em 2024, a dÃvida pública diminuiu para 93,6% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto o saldo orçamental registou um excedente próximo de 0,5% do PIB e o crescimento económico fixou-se em torno de 1,9% em 2024 e 2025.
Neste contexto, e “reconhecendo que nos mercados não existem certezas, o cenário que reúne maior probabilidade nesta revisão é o de manutenção do ‘rating’ em A e da perspetiva estável”, antecipou o analista, considerando que a alteração recente por parte da Fitch “reduz, em termos históricos, a probabilidade de um novo upgrade num horizonte tão curto, dado que as agências tendem a privilegiar a consolidação das tendências antes de novas revisões em alta”.
Para uma melhoria adicional seria necessário “sinais claros de redução estrutural da dÃvida, nomeadamente uma aproximação sustentada a nÃveis inferiores a 90% do PIB, e manutenção de excedentes num enquadramento externo favorável”.
Filipe Silva, diretor de Investimentos do Banco Carregosa, também sinalizou, à Lusa, que o cenário-base para a próxima revisão da Fitch é o de manutenção do mesmo e, “caso os indicadores continuem a confirmar uma melhoria sustentada, uma eventual revisão do Outlook para Positivo”.
“A trajetória favorável dos últimos anos, refletida em sucessivas revisões em alta, dependerá da capacidade de Portugal manter excedentes orçamentais que sustentem a redução da dÃvida num contexto de abrandamento económico, de conter os custos de financiamento num cenário de taxas de juro mais elevadas do que no perÃodo pré-2022, e de assegurar estabilidade e previsibilidade das polÃticas públicas, num ambiente internacional em que o risco geopolÃtico tem ganho protagonismo e contribuÃdo para maior volatilidade nos mercados”, disse o analista.
O ‘rating’ é uma avaliação atribuÃda pelas agências de notação financeira, com grande impacto para o financiamento dos paÃses e das empresas, uma vez que avalia o risco de crédito.
Esta é a terceira avaliação da dÃvida soberana portuguesa este ano. A DBRS, em janeiro, manteve o ‘rating’ de Portugal com a perspetiva estável, enquanto a S&P deixou inalterada a classificação, mas melhorou o outlook de estável para positivo.
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