RTP reconhece conversações e vontade do Estado em explorar sinergias com Lusa — CT

Lisboa, 03 mar 2026 (Lusa) — A Comissão de Trabalhadores da RTP adiantou que o Conselho de Administração da empresa reconheceu a existência de conversações e a vontade de o Estado explorar sinergias entre a estação pública e a Lusa, apesar de não existirem planos.

“O Conselho de Administração reconhece a existência de conversações e a vontade do acionista Estado em explorar sinergias entre a agência Lusa e a RTP”, lê-se num comunicado da CT da estação pública, a que a Lusa teve acesso.

Contudo, a administração da RTP admitiu que, até ao momento, não existem “planos concretos” definidos.

A CT da RTP teve, na passada quinta-feira, a primeira reunião com o Conselho de Administração.

O Conselho de Administração descreveu a situação financeira da empresa “como muito frágil”, projetando um prejuízo de 3,96 milhões de euros em 2025.

Por outro lado, identificou a “necessidade urgente” de 20 milhões de euros para investimentos essenciais, caso contrário, a operacionalidade da empresa pode ficar “irremediavelmente comprometida”.

Para 2026, está prevista uma ligeira melhoria nas contas da empresa devido à saída de trabalhadores.

Acresce que o financiamento externo atingiu o seu limite e que o fluxo de caixa negativo ameaça a independência da empresa.

A CT lembrou que cabe ao Estado assegurar o financiamento necessário para o cumprimento do serviço público e que a RTP está entre os operadores públicos menos financiados na União Europeia.

De acordo com a mesma nota, a estagnação da Contribuição para o Audiovisual (CAV) desde 2017 traduziu-se numa perda de 135 milhões de euros.

A mesma nota acrescenta que está em curso um novo plano de saídas voluntárias, cuja apresentação à tutela está prevista para até o final de março.

A Administração não divulgou quais os critérios para a entrada e saída de profissionais.

“As saídas ocorridas em 2025 continuam sem compensação através de novas entradas, aguardando autorização governamental”, sublinhou.

O Conselho de Administração anunciou uma “limitação drástica” aos contratos de prestação de serviços, que a CT classificou como “mais um episódio de uma política de contratação marcada pela desorganização”, desde os falsos recibos verdes ao “recurso descontrolado” a ‘outsourcing’ (terceirização) para funções permanentes.

O presidente do Conselho de Administração da RTP, Nicolau Santos, assegurou também que não haverá fusão entre as redações de televisão e rádio.

PE // EA

Lusa/Fim