
Moscovo, 03 mar 2026 (Lusa) — A empresa estatal russa de energia nuclear Rosatom alertou hoje que a central nuclear iraniana de Bushehr, operada pela Rússia, corre mais perigo à medida que a guerra continua.
Bushehr “está em perigo, pois ouvem-se explosões a quilómetros da linha de defesa da central. [Os ataques] não são dirigidos à central, mas às instalações militares localizadas lá, contudo, a ameaça aumenta claramente à medida que o conflito se intensifica”, afirmou o diretor da Rosatom.
Alexey Likhachev sublinhou que “qualquer violação da integridade do reator ou das instalações de armazenamento de combustível” significará a “contaminação de grandes territórios e movimentos completamente imprevisíveis da substância contaminante, dependentes de fenómenos atmosféricos”.
Por isso, o diretor da Rosatom pediu que seja dada prioridade à segurança da instalação nuclear, cujas obras de construção foram suspensas pela parte russa.
Ao mesmo tempo, anunciou que a segunda fase da evacuação da central será realizada “assim que a situação de guerra o permitir”.
“Neste momento, há 639 pessoas lá”, embora já não se encontrem crianças nem mulheres, afirmou.
No sábado, Likhachev indicou que todos os filhos dos funcionários da Rosatom, pessoal da central e quem queria sair do país, num total de 94 pessoas, já foram retirados do Irão.
Likhachev alertou há meses que um ataque à central, especialmente ao primeiro bloco gerador, ia provocar uma “catástrofe comparável à de Chernobyl”, a central ucraniana, palco em 1986 de um dos maiores acidentes nucleares civis do mundo.
Na sequência dos ataques israelitas contra o Irão em junho de 2025, o Kremlin descartou então retirar pessoal que operava a mesma central de Bushehr, perto do golfo Pérsico.
Naquele momento, cerca de 600 trabalhadores estavam destacados nas instalações da central.
Esses ataques israelitas ocorreram durante a guerra de 12 dias entre Teerão e Telavive, em que os Estados Unidos também bombardearam instalações nucleares iranianas, incluindo a de Natanz, de acordo com a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA).
A AIEA afirmou que a instalação de enriquecimento nuclear, situada no centro do Irão, sofreu “alguns danos recentemente”, embora “não se esperem consequências radioativas”.
A agência da ONU referiu que os danos se concentraram nos “edifícios de entrada” da parte subterrânea da instalação nuclear iraniana.
Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para “eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano”, e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.
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