
Juba, 02 mar 2026 (Lusa) – Pelo menos 169 pessoas foram mortas por atacantes armados no domingo no norte do Sudão do Sul, onde a violência se agravou nas últimas semanas, avança hoje a agência de notícias France-Presse (AFP), citando dois responsáveis locais.
A responsável de saúde da administração regional de Ruweng, Elizabeth Achol, disse à AFP que “169 corpos foram enterrados numa vala comum”.
“Este número ainda pode aumentar”, acrescentou James Monyluak, responsável pela Informação da área administrativa de Ruweng.
A agência de notícias norte-americana The Associated Press (AP) confirma também, citando fontes locais, que pelo menos 169 pessoas morreram como resultado de um ataque de insurgentes, que invadiram uma aldeia numa área remota do Sudão do Sul.
As vítimas, incluindo 90 civis, foram atacadas no condado de Abiemnom, disse James Monyluak.
Por outro lado, a Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul (UNMISS) disse num comunicado que 1.000 pessoas procuraram refúgio na sua base após o ataque.
“Essa violência coloca os civis em grave risco e deve parar imediatamente”, disse Anita Kiki Gbeho, funcionária da UNMISS, num comunicado, em que exortou “todos os envolvidos a cessarem as hostilidades sem demora e a se engajarem num diálogo construtivo para resolver as suas queixas”.
“As nossas forças de manutenção da paz continuarão a fazer tudo o que estiver ao seu alcance para proteger os civis que procuram refúgio na base”, acrescentou.
Os assassínios fazem parte de uma vaga crescente de violência que assola o Sudão do Sul, enquanto as forças governamentais leais ao Presidente, Salva Kiir, combatem homens armados que se acredita serem leais ao líder da oposição, Riek Machar.
Machar era vice de Kiir até setembro, quando foi destituído após enfrentar acusações criminais e está, atualmente, em prisão domiciliar em Juba, capital do Sudão do Sul, enquanto o seu julgamento prossegue.
Os EUA estão a instar Kiir e Machar a dialogarem.
A violência contínua a ameaçar, ainda mais, a frágil paz alcançada em 2018, após uma guerra civil de cinco anos.
Após esse acordo, Machar foi nomeado o primeiro vice-presidente do Sudão do Sul num Governo de unidade nacional.
Os apoiantes de Machar afirmam que as acusações contra ele por alegada subversão têm motivação política.
O conflito intensificou-se em dezembro, quando as forças da oposição tomaram postos avançados do Governo no condado de Jonglei.
O Governo tem conduzido uma contraofensiva desde janeiro com bombardeamentos aéreos e ataques terrestres, apesar do compromisso oficial com o acordo de paz.
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