Evacuados base britânica e aeroporto em Chipre ameaçados por drones

Londres, 02 mar 2026 (Lusa) – O aeroporto internacional de Pafos e a base militar britânica de Akrotiri, em Chipre, foram evacuados, depois de uma ameaça de ataque de drones alegadamente iranianos, entretanto destruídos, indicaram hoje várias fontes. 

O site do jornal Phileleftheros adiantou que o aeroporto, na costa ocidental de Chipre, foi evacuado esta manhã devido à presença de drones, ao mesmo tempo que os alarmes soaram na base britânica de Akrotiri, nas proximidades, onde no domingo à noite um drone de fabrico iraniano se despenhou.

Um porta-voz do governo cipriota Konstantinos Letymbiotis escreveu, numa rede social, que “dois veículos aéreos não tripulados que se deslocavam na direção das bases britânicas em Akrotiri foram intercetados a tempo”.

De acordo com a agência de notícias France-Presse (AFP), a base britânica, que acolhe militares e civis, estava agora a ser evacuada, na sequência do lançamento de dois caças F-35.

Cerca de 70 carros foram vistos a deixar a zona da base de Akrotiri, na costa sul da ilha mediterrânica, precisou a AFP.

O Ministério da Defesa britânico já tinha indicado ter tomado “como medida de precaução” a decisão de “transferir os familiares [de militares] que vivem na RAF [Força Aérea Real] Akrotiri para alojamentos alternativos nas proximidades, na ilha de Chipre”.

“A nossa base e os nossos funcionários continuam a operar normalmente, protegendo a segurança do Reino Unido e os nossos interesses”, salientou.

As autoridades britânicas confirmaram que um drone de ataque atingiu a pista da base aérea de Akrotiri, no domingo, mas não foram registados feridos e os danos foram mínimos.

Não é claro se o drone foi lançado do Irão ou por um grupo militante apoiado por Teerão.

Akrotiri é a principal base aérea do Reino Unido para operações no Médio Oriente e, nos últimos anos, tem sido usada por aviões militares britânicos em missões contra o grupo extremista Estado Islâmico na Síria e no Iraque e para atacar alvos dos huthis no Iémen.

O Reino Unido manteve duas bases aéreas em Chipre depois da independência da ilha do Mediterrâneo oriental do domínio colonial britânico em 1960.

No mês passado, Londres enviou caças F-35 adicionais para Akrotiri, juntamente com radares, sistemas antidrone e defesas aéreas, como parte de “medidas defensivas”.

O Governo britânico têm evitado, até agora, comprometer-se no apoio à operação dos EUA e de Israel contra o Irão, embora concorde que Teerão não deve ter armas nucleares, tendo pedido o fim dos ataques iranianos e uma solução diplomática.

O Reino Unido não participou dos ataques dos EUA e Israel, iniciados no sábado, nem autorizou o uso de bases britânicas em Inglaterra ou na ilha de Diego Garcia, no oceano Índico pelos EUA.

Mas, no domingo, o primeiro-ministro, Keir Starmer, anunciou ter concordado em permitir que os EUA usem as bases para ataques aos mísseis iranianos e locais de lançamento em resposta aos ataques iranianos a interesses e aos aliados britânicos no golfo, reivindicando a legalidade da medida à luz do direito internacional.

“Não nos vamos juntar a estes ataques, mas vamos continuar com as nossas ações defensivas na região”, disse Starmer, sublinhando que as bases britânicas não podem ser usadas para ataques contra o Irão.

Entretanto, o Presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou ao jornal britânico Daily Telegraph estar “muito desapontado com Keir” por ter demorado “demasiado tempo” a mudar de opinião sobre a utilização das bases britânicas.

O envolvimento britânico foi criticado por deputados trabalhistas, pelo antigo líder Jeremy Corbyn e por alguns partidos da oposição, por recearem que o país seja arrastado para uma nova guerra no Médio Oriente, como a do Iraque em 2003.

“O Reino Unido não está em guerra”, afirmou o sub-secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, Hamish Falconer, à emissora BBC, argumentando que o Irão tem mísseis balísticos “apontados para o golfo e é vital que esses lançadores de mísseis sejam eliminados”. 

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