Sul de Moçambique sob alerta devido a previsão de chuvas fortes

Maputo, 02 mar 2026 (Lusa) — O Instituto Nacional de Meteorologia (Inam) moçambicano colocou as províncias de Inhambane, Gaza e Maputo, no sul, sob alerta laranja devido à previsão de chuvas moderadas a fortes, trovoadas e ventos fortes até terça-feira.

O aviso meteorológico foi emitido hoje e é válido até ao final do dia de terça-feira, com o Inam a prever precipitação entre 30 e 50 milímetros em 24 horas, podendo ultrapassar os 50 milímetros em algumas áreas, “acompanhadas por vezes de trovoadas severas e ventos com rajadas” a partir da tarde de hoje.

Além das três províncias da região sul, o alerta abrange igualmente distritos e cidades das províncias de Manica e Sofala, no centro de Moçambique, onde também é esperada precipitação significativa nas próximas horas.

O instituto acrescenta que, paralelamente, poderá registar-se a continuação de chuvas fracas a moderadas na região norte, igualmente acompanhadas por trovoadas ocasionais, mantendo-se a monitorização permanente da evolução das condições atmosféricas.

Moçambique é considerado um dos países mais afetados pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre entre outubro e abril.

O número total de mortos na atual época das chuvas em Moçambique subiu para 257, com registo de praticamente 869 mil pessoas afetadas, desde outubro, segundo a atualização feita pelo instituto de gestão de desastres.

De acordo com informação da base de dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), atualizada até à noite de domingo, são contabilizados mais 15 mortos face ao balanço de quinta-feira.

Foram afetadas 868.948 pessoas na presente época das chuvas, correspondente a 200.824 famílias, havendo também 12 desaparecidos e 331 feridos, segundo o mesmo balanço.

Só as cheias de janeiro provocaram, pelo menos, 27 mortos – afetando 724.131 pessoas – e a passagem do ciclone Gezani em Inhambane, em 13 e 14 de fevereiro, causou mais quatro mortos e afetou 9.040 pessoas, segundo os dados atualizados do INGD sobre a época das chuvas.

Um total de 15.329 casas ficaram parcialmente destruídas, 6.168 totalmente destruídas e 183.824 inundadas, na presente época chuvosa. Ao todo, 302 unidades de saúde, 83 locais de culto e 716 escolas foram afetadas em cinco meses.

Os dados do INGD indicam ainda que 555.040 hectares de áreas agrícolas foram afetados neste período, 288.016 hectares dos quais dados como perdidos, atingindo 365.784 agricultores. Também 530.998 animais morreram, entre bovinos, caprinos e aves, e foram afetados 7.845 quilómetros de estrada, 36 pontes e 123 aquedutos.

Desde outubro, o instituto de gestão de desastres moçambicano ativou 149 centros de acomodação, que albergaram 113.478 pessoas, dos quais 27 ainda estão ativos, com pelo menos 20.297 pessoas.

 

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