
Guarda, 27 fev 2026 (Lusa) — O secretário-geral do PS, José LuÃs Carneiro, salientou hoje que o seu partido é um “fator de estabilidade”, faz “oposição firme, mas construtiva” ao Governo, mas não quer ser “fator de crise”.
O lÃder e recandidato à liderança do PS recusou-se a comentar as recentes crÃticas do ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho ao Governo da AD, que acusou de “não ter vontade nem Ãmpeto reformista” na saúde, nas questões laborais e na competitividade da economia.
“Não vou comentar a vida interna dos outros partidos, mas, como disse o próprio LuÃs Montenegro, é um pouco pitoresco aquilo que se está a passar na AD, com o ex-primeiro-ministro a dizer que, de facto, a AD não tem vontade nem Ãmpeto reformista para fazer aquilo de que o paÃs precisa”, declarou José LuÃs Carneiro aos jornalistas, à entrada de uma sessão com representantes da sociedade civil e militantes da Guarda.
O dirigente socialista referia-se a reformas “na saúde, nas questões laborais, no que tem a ver com a competitividade da nossa economia, com a criação de emprego, com o pagamento de melhores salários e com a polÃtica fiscal”.
Questionado se Passos Coelho tem feito mais oposição ao Governo do que os socialistas, José LuÃs Carneiro respondeu que “o PS é um fator de estabilidade e quer contribuir para o seu paÃs”.
“Sempre afirmei que serÃamos uma oposição firme, mas, simultaneamente, construtiva. Sempre que formulámos uma crÃtica apresentámos propostas alternativas. Foi o que fiz, há dias, quando apresentei propostas para proteger as famÃlias, os trabalhadores, as empresas e as autarquias” na sequência das tempestades.
O secretário-geral do PS acrescentou que o partido tem “esse sentido de compromisso com o interesse do paÃs que vai permitir que sejamos capazes de construir uma relação de confiança que, no futuro, nos levará de novo a exercer funções governativas”.
“As pessoas podem confiar em nós, porque não somos fator de crise ou de instabilidade. mas claro que se um dia se colocarem essas questões, nós estaremos preparados para todas as responsabilidades”, garantiu.
Na Guarda, José LuÃs Carneiro veio apresentar, entre outras propostas da sua moção de estratégia, os contratos territoriais de desenvolvimento, que considerou “o instrumento para responder à necessidade de coesão económica, social e territorial do paÃs”.
“Eles mobilizarão para o território quer a polÃtica económica, quer a polÃtica fiscal, quer os fundos europeus, quer os fundos nacionais, proporcionando e garantindo melhores condições de vida, de trabalho, de salários dignos e de coesão económica e social”, afirmou.
José LuÃs Carneiro abordou também o tema da regionalização para reiterar que pretende a avaliar a descentralização e a desconcentração de poderes nas Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regionais.
Avançará depois com a proposta de realização de um referendo para “perguntar aos portugueses se querem que as funções das Comissões de Coordenação sejam de nomeação do Governo ou que sejam de escolha popular, de escolha eleitoral”.
O lÃder socialista garantiu que o PS está preparado para “defender” estas propostas, mas assumiu que o assunto tem “um tempo de amadurecimento e um tempo polÃtico”.
“Sei que o primeiro-ministro é desfavorável [à regionalização], mas há ministros que são favoráveis. Por exemplo, o ministro da Coesão, Castro Almeida, sempre foi um regionalista e, portanto, espero que no futuro possamos contar com as vontades daqueles que sempre defenderam a regionalização”.
José LuÃs Carneiro acrescentou que a regionalização “não pode servir para criar mais lugares”.
“Temos de recusar a ideia de que sirva para criar mais lugares, mas deve servir para aproximar o poder das populações e para responder também de forma mais rápida à s necessidades de desenvolvimento dos territórios para a criação de emprego e de oportunidades, de valorização da economia regional”.
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