Suécia não acolhe armas nucleares em tempo de paz — PM sueco

Malmo, Suécia, 27 fev 2026 (Lusa) — O primeiro-ministro sueco defendeu hoje que a presença de armas nucleares de dissuasão na Suécia em tempo de paz é contrária à doutrina definida por Estocolmo, embora tenha admitido que uma guerra possa alterar essa posição.

“Temos uma doutrina clara na Suécia, segundo a qual não temos tropas estrangeiras estacionadas de forma permanente em solo sueco em tempo de paz”, respondeu Ulf Kristersson quando questionado sobre a possibilidade de acolher armas nucleares francesas na Suécia.

Segundo Kristersson, “essa doutrina está em vigor”, pelo que a presença de armas nucleares francesas na Suécia “não é uma opção”.

“[Mas], a haver uma guerra que, de uma forma ou de outra, nos afete, então seria uma situação completamente diferente”, ressalvou o chefe do executivo de Estocolmo, durante uma visita a Malmo (sul), onde se encontra o porta-aviões francês “Charles de Gaulle”.

Em 2022, na sequência da invasão russa da Ucrânia, a Suécia pôs termo a dois séculos de não-alinhamento militar ao tornar-se, em março de 2024, o 32.º membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO).

Se os Estados Unidos e a Rússia possuem milhares de ogivas nucleares, na Europa apenas a França e o Reino Unido dispõem de armas nucleares. No total, os dois países europeus detêm algumas centenas de ogivas.

À medida que aumentou a incerteza em torno do apoio militar dos Estados Unidos à Europa, os líderes europeus começaram a refletir sobre a forma de colmatar a ausência de uma dissuasão credível no continente.

Kristersson, recordando a doutrina sueca de ausência de tropas estrangeiras no seu território, considerou que, enquanto a Rússia possuir armas nucleares na vizinhança imediata, “é positivo que duas democracias europeias [França e Reino Unido] também disponham de armas nucleares”.

 

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