Prémios César do cinema francês para Carine Tardieu, Richard Linklater e Paul Thomas Anderson

Paris, 27 fev 2026 (Lusa) – “L’Attachement”, de Carine Tardieu, conquistou esta noite três prémios César do cinema francês, incluindo o de melhor filme, numa cerimónia que também distinguiu o norte-americano Richard Linklater, como melhor realizador, e “Batalha atrás de batalha”, como melhor filme estrangeiro.

O filme de Carine Tardieu, exibido no ano passado em Portugal na Festa do Cinema Francês, que o apresentou como “uma reflexão delicada sobre a forma como os laços familiares se criam além das convenções e do sangue”, foi igualmente premiado pelo argumento adaptado do romance “L’intimité”, de Alice Ferney, e pelo desempenho de Vimala Pons, como melhor atriz secundária.

Ao receber o prémio principal da Academia Francesa de Cinema, a realizadora Carine Tardieu lembrou que “L’Attachement” se centra “em tudo aquilo que nos liga nesta sociedade, que está a construir muros por todo o lado”.

O prémio de melhor realização foi para Richard Linklater, por “Nouvelle Vague”, o filme-homenagem ao cineasta Jean-Luc Godard, numa recriação da rodagem de “O acossado” e, através dela, de celebração do cinema francês e do movimento que definiu a sua modernidade.

“Nouvelle Vague” também deu a Catherine Schwartz o prémio de melhor montagem, a David Chambille, o de melhor fotografia e, a Pascaline Chavanne, o prémio de melhor guarda-roupa, fazendo desta coprodução franco-norte-americana um dos filmes mais premiados da noite.

Quanto ao César de melhor filme estrangeiro, para o qual estava nomeado “O agente secreto”, do cineasta brasileiro Kléber Mendonça Filho, foi para “Batalha atrás de batalha”, do norte-americano Paul Thomas Anderson.

O César de melhor atriz coube a Léa Drucker, pelo desempenho em “Dossier 137”, de Dominik Moll, filme sobre violência policial, e o de melhor ator a Laurent Lafitte, por “La Femme la plus riche du monde”, de Thierry Klifa, livremente inspirado em Françoise Bettencourt-Meyers, herdeira da L’Oréal.

Nas principais categrias dos Césares, foram ainda premiados “Le Chant des forêts”, de Vincent Munier, melhor documentário, “Au Bain des Dames”, de Margaux Fournier, melhor ‘curta’ documental, “Mort d’un acteur”, de Ambroise Rateau, melhor ‘curta’ de ficção, “Fille de l’eau”, de Sandra Desmazières, melhor ‘curta’ de animação, e “Arco”, de Ugo Bienvenu, melhor longa-metragem de animação, que também deu a Arnaud Toulon o César de melhor banda sonora.

A cerimónia, que decorreu esta noite no Olympia, em Paris, abriu com a entrega do César honorário ao ator Jim Carrey, protagonista de “Ace Ventura” e “The Truman Show”. Num discurso em francês, Carrey lembrou os seus antepassados franceses, que emigraram para o Canadá.

A academia francesa homenageou ainda o documentarista norte-americano Frederick Wiseman, que morreu há uma semana, e a atriz Brigitte Bardot, que morreu em dezembro.

Bardot, de acordo com a imprensa no local, foi alvo de “algumas vaias”, durante o vídeo de evocação da sua carreira, numa crítica a ligações da atriz a movimentos de extrema-direita.

A atriz franco-iraniana Golshifteh Farahani, que entregou o prémio de argumento, fez a intervenção política da noite, ao evocar o seu país de origem, onde “as estrelas foram reduzidas a pó, a sangue ou silenciadas”, dando como exemplo o cineasta Jafar Panahi, vencedor da última Palma de Ouro em Cannes por “Foi só um acidente”, hoje nomeado para o César de melhor filme.

Panahi, disse a atriz, “foi preso e proibido de fazer filmes, mas continuou a criar, apesar da tirania e da censura, e é esse o espírito do povo iraniano”.

“Sempre a lutar, com esperança, mesmo na dor, o povo iraniano luta pela sua liberdade há décadas, de mãos vazias, muitas vezes sozinho, armado com a sua coragem e uma das mais antigas e profundas culturas do mundo. Apesar de toda a ajuda que nunca receberam, acabarão por vencer”, garantiu Farahani. E concluiu: “A demanda da liberdade pulsa no coração da humanidade. Um ser vivo nunca se subjuga”.

MAG // APL

Lusa/Fim